Associação de Bevacizumab à quimioterapia padrão em pacientes com câncer urotelial metastático tratados em primeira linha: CALGB 90601 (Alliance)

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Associação de Bevacizumab à quimioterapia padrão em pacientes com câncer urotelial metastático tratados em primeira linha: CALGB 90601 (Alliance)

Comentado por Dra Emmanuely Duarte

  •         A quimioterapia baseada em cisplatina e gencitabina é considerada o padrão de tratamento atual de primeira linha em pacientes com câncer urotelial metastático, tendo em vista resultados semelhantes com menor toxicidade em comparação à terapia combinada MVAC.Sabe-se que a angiogênese está relacionada a maior agressividade e à progressão do câncer urotelial. Diante disso, alguns estudos foram desenvolvidos com o intuito de avaliar o papel do antiangiogênico bevacizumab nesse cenário.

    Um estudo fase II de braço único com gencitabina, cisplatina e bevacizumab em pacientes com câncer urotelial metastático ou localmente avançado evidenciou taxa de resposta objetiva de 72% ; outro também de fase II  e com a mesma combinação de tratamento demonstrou melhor sobrevida global em comparação com controles históricos.

    O Alliance (CALGB 90601) foi um estudo de fase 3, placebo – controlado publicado no Journal of Clinical Oncology (JCO) em 14 de maio de 2021 que avaliou a associação de bevacizumab à quimioterapia com cisplatina e gencitabina em primeira linha em pacientes com carcinoma urotelial metastático que não haviam recebido quimioterapia neoadjuvante ou tratamento adjuvante nos últimos 12 meses. Foram randomizados 506 pacientes na proporção 1:1 para receberem: cisplatina (70 mg/m² no dia 1) + gencitabina (1000mg /m² nos dias 1 e 8) + bevacizumab 15 mg/kg   x   o mesmo protocolo de quimioterapia associado a placebo a cada 21 dias.

    Os pacientes tinham um bom status-performance (ECOG 0-1) e taxa de filtração glomerular de no mínino 50 ml/min. O desfecho primário foi a sobrevida global e os secundários foram a sobrevida livre de progressão, taxa de resposta e eventos adversos. Após um seguimento médio de 76,3 meses a sobrevida global mediana foi de 14,5 meses para o grupo de pacientes tratados com a adição de bevacizumab e 14,3 meses para aqueles tratados apenas com quimioterapia (HR = 0,87; IC de 95%, 0,72 a 1,05; P = 0,14). A sobrevida livre de progressão mediana foi de 8,0 meses no grupo do bevacizumab e 6,7 meses no grupo com quimioterapia apenas (HR = 0,77; IC de 95%, 0,63 a 0,95; P = 0,016).

    Em resumo, não houve benefício do bevacizumab em termos de sobrevida global quando adicionado à quimioterapia com gencitabina e cisplatina como tratamento de primeira linha para câncer urotelial metastático. O ganho em sobrevida livre de progressão não foi clinicamente significativo e a proporção de eventos adversos de grau 3 ou maior não diferiu significativamente entre os dois braços. É fundamental o desenvolvimento de mais estudos para identificar em quais pacientes o bloqueio da angiogênese pode configurar um fator crítico.

     

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