Pacientes com câncer e vacina contra pneumonia
15/05/2020
Desfecho e caracterização molecular de pacientes com câncer de mama metastático e mutação do gene PIK3CA
22/05/2020
 

Atezolizumab e Bevacizumab em Carcinoma Hepatocelular irressecável - IMbrave150

Por Carolina Zitzlaff

A combinação de Atezolizumab e Bevacizumab já havia demonstrado atividade antitumoral e segurança em estudo Fase 1 em pacientes com Carcinoma Hepatocelular irressecável. Diante disso, foi desenvolvido estudo Fase 3, multicêntrico, aberto, publicado no New England Journal of Medicine recentemente.

Entre março de 2018 e Janeiro de 2019, 501 pacientes foram randomizados com proporção 2:1 para receber a combinação de atezolizumab 1200mg e bevacizumab  15mg/kg, a cada 21 dias, versus sorafenibe 400mg duas vezes ao dia, considerado o padrão para primeira linha atualmente. Os pacientes incluídos deveriam ter doença irressecável e serem virgens de tratamento sistêmico, avaliáveis pelo RECIST 1.1, com ECOG 0-1 e Child A.  O tratamento era mantido até surgimento de toxicidade limitante ou perda de benefício clínico, com codesfechos primários sobrevida global e sobrevida livre de progressão.
Eram excluídos pacientes com histórico de doença autoimune, coinfecção com vírus B e C e varizes esofagogástricas não tratadas.

Após follow up médio de 8,6 meses, 28.6% no grupo da combinação e 39.4% do grupo sorafenib haviam evoluído para óbito, com HR 0.58. Houve também benefício em sobrevida livre de progressão, com média de 6,8 meses e 4,3 meses, respectivamente (HR 0.59) e em taxa de resposta objetiva, com 27,3% no primeiro grupo e 11,9% no segundo.

Os pacientes tratados com atezolizumab e bevacizumab também se beneficiaram no tocante à qualidade de vida, com o achado de que o tempo médio para deterioração de qualidade de vida e funcionalidade foi mais longo que o tempo de sobrevida livre de progressão.

Em relação a toxicidade, 56.5% do grupo Atezolizumab- Bevacizumab e 55.1% do grupo Sorafenib apresentaram efeitos adversos Graus 3 e 4, sendo mais comum Hipertensão no 1º grupo. Outros efeitos adversos relevantes no grupo da combinação foram fadiga, proteinúria e desordens gastrointestinais.

Uma grande limitação do uso dessas medicações, além do custo, é o perfil de comorbidades dos pacientes com Carcinoma hepatocelular, muitas vezes incompatíveis com o próprio tratamento.  No entanto, após 12 anos do estudo SHARP, diante de um cenário de uma doença com prognóstico limitado e com poucas opções terapêuticas, é um importante avanço no tratamento do Carcinoma Hepatocelular.

Author profile
Dra Carolina Zitzlaff
 
Buy now