CASPIAN : A Phase III, Randomized, Multicenter,Open-Label, Comparative Study to Determine the Efficacy of Durvalumab or Durvalumab and Tremelimumab in Combination With Platinum-Based Chemotherapy for the First-Line
09/09/2019
Keynote 522
30/09/2019
 

Destaques do primeiro dia das ESMO 2019 – Trato Gastrointestinal

HEPATOCARCINOMA

Checkmate 459 falhou em mostrar benefício de Sobrevida Global em Nivolumabe na primeira linha para Hepatocarcinoma, em comparação com Sorafenibe com SG 16,4m x 14,7m (HR: 0,85/ p=0,072). O estudo não atingiu significância estatística predefinida (p= 0,0419). Entretanto, a SG em 12 meses foi de 60% no braço do Nivolumabe contra 55% no braço do Sorafenibe. Em sobrevida livre de progressão, também não houve benefício (HR: 0,93). Houve benefício clínico (independente da expressão de PDL-1) e melhor tolerância ao tratamento (toxicidade grau 3/4 de 22% x 49%). Será que uma melhor seleção dos pacientes para Imunoterapia pode melhorar os resultados de Imunoterapia em primeira linha? Dúvidas para os próximos estudos…

O GO30140, estudo de fase 1B, também no cenário de Hepatocarcinoma irressecável, associou imunoterapia ao antiangiogênico Bevacizumabe, mostrando eficácia e segurança na combinação de anti PDL1 e anti-VEGF. Foram 59 pacientes no grupo da combinação de Atezolizumabe e Bevacizumabe e 60 pacientes no grupo de Imunoterapia isolada. Ao final de 6,6 meses, ocorreram 35 eventos no grupo da combinação e 39 eventos no grupo de imunoterapia, com HR de 0,55, p=0,0108 e média de SLP de 5,6m x 3,4 meses. A taxa de resposta de 36% na combinação com 76% dos pacientes apresentando resposta até a publicação. A combinação foi bem tolerada, sem eventos adversos inesperados. O estudo fase III IMbrave 150 está em andamento.

Referências
1. Bristol-Myers Squibb. A Randomized, Multi-center Phase III Study of Nivolumab Versus Sorafenib as First-Line Treatment in Patients With Advanced Hepatocellular Carcinoma (CheckMate 459: CHECKpoint Pathway and nivoluMAb Clinical Trial Evaluation 459)
2. Stacey Stein, Michael J. Pishvaian, Michael Sangmin Lee, Kyung-Hun Lee, Sairy Hernandez, Antonia Kwan, Bo Liu, William Grossman, Koho Iizuka, and Baek-Yeol Ryoo. Safety and clinical activity of 1L atezolizumab + bevacizumab in a phase Ib study in hepatocellular carcinoma (HCC).

CÂNCER DE PÂNCREAS

O estudo NEOLAP-AIO-PAK-0113 comparou a taxa de conversão cirúrgica em Câncer de Pâncreas localmente avançado dos diferentes esquemas de quimioterapia atualmente disponíveis para primeira linha: Gencitabina e nabpaclitaxel versus FOLFIRINOX. Estudo multicêntrico de fase II que selecionou pacientes com tumor de pâncreas localmente avançado, ECOG 0-1, BT <2mg/dl para indução com 2 ciclos de Gem + Abrax e posterior randomização para 4 ciclos de Folfirinox ou 2 ciclos de Gencitabina e Nab-paclitaxel. Todos os pacientes que não progredissem na indução fariam laparotomia exploradora e ressecção cirúrgica se possível. Os pacientes com ressecção R0/R1 fariam ainda 3 ciclos de Gencitabina e Nab-paclitaxel (GNP) adjuvantes. Objetivo primário do estudo foi taxa de conversão. Objetivos secundários – segurança, taxa de resposta, taxa de controle de doença, taxa de resposta no marcador tumoraç CA 19.1, reposta patológica, SLP, SG. Foram alocados 168 pacientes. 165 pacientes realizaram primeira fase de indução. Após primeira fase, 130 pacientes foram randomizados para receber 2 ciclos de GNP(64) ou 4 ciclos de Folfirinox (66). Após a fase de indução, 40 pacientes foram para laparotomia no grupo GNP e 42 pacientes no grupo Folfirinox. 60 pacientes completeram indução no grupo GNP e 52 no grupo Folfirinox.

Em relação ao desfecho primário, a taxa de conversão no grupo que recebeu toda indução com GNP foi de 30,6% – 68% R0 e 32% R1 e no grupo do FOLFIRINOX foi de 45% – 74% R0 e 26% R1. Na população ITT, a taxa total de conversão total foi 27,9%.

ão houve diferença entre os grupos que receberam Nab-paclitaxel e Folfirinox em termos de taxa de conversão (p=0,135) e sobrevida global 22,5 x 17,2m – HR 0,73 – p= 0,268.
Apesar de não ter mostrado benefício do uso de dois esquemas diferentes na indução, essa estratégia possibilita o máximo de morte celular. Além disso, permite evitar toxicidade cumulativa do mesmo esquema.

Referências
1. Volker Kunzmann, Prospective Randomized Multicenter Phase II Trial to Investigate Intensified Neoadjuvant Chemotherapy in Locally Advanced Pancreatic Cancer.

COLANGIOCARCINOMA

Na ESMO 2019 foi publicado os resultados preliminares do estudo FIGHT- 202. Esse estudo avaliou a resposta do Pemigatinib em 107 pacientes com mutação (fusão/rearranjo) no FGFR-2 com taxa de resposta de 35,5% e média de duração de reposta de 7,5 meses. Não houve resposta nos pacientes com outras mutações no FGFR ou sem mutações. A sobrevida livre de progressão no grupo de mutação FGFR-2 foi de 6,9 meses contra 2,1 meses e 1,7 meses para os grupos com outras mutações do FGFR e sem mutações.

Os colangiocarcinomas são um grupo de neoplasia com incidência baixa – em torno de 3%, mas que vem aumentando ao longo dos anos. A sobrevida global em 5 anos de todos os grupos gira em torno de 5-15%. Existe tratamento bem definido de primeira linha, mas após progressão, estudos em segunda linha não mostram benefício em sobrevida global, com a sobrevida livre de progressão em torno de 2,6-3,2 meses. A necessidade de tratamentos mais eficazes é urgente e a pesquisa de mutações com possibilidade de encontrar alvos moleculares nessas neoplasias é uma necessidade imediata. A mutação do FGFR é exclusiva do colangiocarcinomas intra-hepáticos, com uma incidência da ordem de 11-45%.

Já está em andamento o estudo de fase III comparando inibidores de TKI do gene FGFR-2 com tratamento de primeira linha – Cisplatina e Gencitabina.

Referencias:
1. Vogel A, Sahai V, Hollebecque A, et al. FIGHT-202: a phase 2 study of pemigatinib in patients (pts) with previously treated locally advanced or metastatic cholangiocarcinoma (CCA).

Juan W. Valle, Angela Lamarca, Lipika Goyal, Jorge Barriuso and Andrew X. Zhu. New Horizons for Precision Medicine in Biliary Tract Cancers. Cancer Discovery, 2017

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Dra Cecília Arraes
Médica Oncologista
 
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