PANAMA trial: panitumumab + 5FU/LV x 5FU/LV isolado como terapia de manutenção em pacientes com câncer colorretal metastático RAS selvagem
29/09/2021
Tebentafusp no tratamento de primeira linha de pacientes com Melanoma Uveal Metastático –
12/10/2021

Mudança de paradigma no tratamento de câncer de mama metastático HER-2 positivo

Por Dra Ana Caroline Patu

Foi apresentado na sessão presidencial do Congresso Europeu de Oncologia neste ano, o estudo DESTINY Breast03, um importante estudo que avaliou o trastuzumabe deruxtecano (T-Dxd) em segunda linha no tratamento de mulheres com câncer de mama metastático após progressão com taxano e terapia anti-HER2.

Trata-se do primeiro estudo multicêntrico, randomizado do conjugado anticorpo-droga, na qual 524 pacientes participaram do estudo para receber T-Dxd na dose de 5,4 mg/kg ou trastuzumabe emtansina (T-DM1) na dose de 3,6mg/kg a cada 3 semanas. Pacientes com metástases cerebrais tratadas clinicamente e estáveis eram elegíveis. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão, medida por uma revisão central independente.

As características eram bem balanceadas entre os dois grupos, 50,2% (T-Dxd) vs 51% (TDM-1) eram receptor hormonal positivo, 23,8% vs 19,8% tinham metástase cerebral e 70,5% vs 70,3% tinham doença visceral respectivamente.  Nas pacientes que utilizaram o T-Dxd, 62,1% receberam pertuzumabe anteriormente, no braço do TDM1 está taxa foi de 60,1%.

Em um acompanhamento de 16 meses, a sobrevida livre de progressão mediana foi de 25,1 meses para T-Dxd e 7,1 meses com T-DM1 (HR =0,26). As taxas de controle da doença foram de 96,6% e 76,8%, respectivamente. O benefício foi observado em todos os subgrupos pré-especificados, incluindo aqueles com receptor hormonal positivo, uso anterior de pertuzumabe, presença de metástase visceral e cerebral. Nas pacientes com metástase cerebral tratadas e estável, a sobrevida livre de progressão foi o dobro.

A taxa de resposta objetiva foi de 79,1% daquelas que receberam T-DXd e 34,2% nas que receberam T-DM (p< 0,0001). Dos respondedores do braço do T-Dxd, 16,1% tiveram resposta completa e 63,6% tiveram resposta parcial. A taxa de sobrevida global estimada em 12 meses foi de 94,1% vs 85,9% (HR=0,56), que não atingiu o limite de significância, provavelmente por dados imaturos.

As taxas de eventos adversos foram semelhantes aos estudos anteriores. Os efeitos mais comuns foram neutropenia, trombocitopenia, leucopenia e náuseas. Doença pulmonar intersticial ocorreu em 10,5% das pacientes do braço do T-DXd, 9,7% de grau 1 e 2, e nenhum caso de grau 4 e 5. Neste estudo o grau de doença pulmonar intersticial foi menos preocupante, que estudos anteriores, provavelmente devido ao uso desta droga num cenário mais inicial. Nenhuma morte foi observada nos dois braços. Importante lembrar que a vigilância e intervenção precoce são obrigatórias para administração desta droga.

Como conclusão, o T-DXd demonstrou uma melhora significativa e impressionante na sobrevida livre de progressão quando comparado a trastuzumabe emtansina, em pacientes previamente tratados HER-2 positivo. Os efeitos adversos foram bem tolerados e manejáveis, devendo ser o tratamento de escolha, em segunda linha, em pacientes com câncer de mama HER-2 positivo, irressecável ou metastático.

Author profile
Dra Ana Caroline Patu
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em medicina na Universidade Federal de Pernambuco.

Residência médica em oncologia clínica no Hospital Sírio Libanês, São Paulo-SP.

Oncologista do Real Instituto de Oncologia e do Hospital das Clínicas da UFPE.

Preceptora de Residência médica de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

Buy now