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Atualização de 4 anos de seguimento do Brightness Trial confirma a superioridade de adição de carboplatina e paclitaxel sem veliparibe no tratamento neoadjuvante do câncer de mama triplo negativo

Comentado por Cecília Arraes em 19/09/2021

O Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO) de 2021 veio recheado de novidades em câncer de mama. Além dos trabalhos em câncer de mama Her-2+, tivemos a atualização de dados de um trabalho importante nos tumores triplo negativos, o Brightness trial. Após seguimento de 4 anos, a adição da carboplatina ao taxano foi superior em termos de resposta patológica completa e sobrevida livre de recorrências e tendência a melhor sobrevida global. A adição de Veliparibe não se traduziu em melhora dos resultados.

O BrighTNess foi um estudo de fase 3 publicado em abril de 2018 no Lancet Oncology, que randomizou 634 mulheres estádio II/III tumor de mama triplo negativos elegíveis para tratamento neoadjuvante em 3 braços – 2:1:1. No braço A, os pacientes recebiam Carboplatina AUC 6, paclitaxel 80mg/m² e Veliparib 50mg/dia seguido por doxorrubicina e ciclofosfamida, no braço B apenas Carboplatina e paclitaxel e no braço C apenas Taxol. Após, todos os grupos receberam doxorrubicina e ciclofosfamida neoadjuvantes. Os pacientes foram estratificados pelo status mutação BRCA, estadiamento N e esquema de doxo e ciclofosfamida (dose densa ou não).

O objetivo principal do estudo foi taxa de resposta patológica. Os desfechos secundários foram sobrevida livre de recorrência e sobrevida global. O braço A foi comparado com braço B e também com braço C.

Em relação às características do grupo estudado, 14,6% das pacientes eram portadoras de mutação BRCA, 71,3% estágio T2, 58% N0 e 55% realizando AC dose densa.

Na primeira publicação com dados do desfecho primário, o braço A foi superior ao braço C (pCR 53% x 31%), mas não ao B (58%), não havendo benefício da adição de Veliparibe em relação a carboplatina e paclitaxel.

Após seguimento de 4,5 anos, tivemos a apresentação dos dados em relação à sobrevida livre de recorrências e global.  A adição de Veliparibe ao esquema também não foi superior a carboplatina e paclitaxel (HR: 0,82 – p= 0,45 para o braço A e 0,63 p=0,17 para o braço B), com tendência de melhora de sobrevida global, mas que não foi estatisticamente significativo. As taxas de sobrevida livre de recorrência foram de 78,2% para o braço A, 79,3% para o braço B e 68,5% no braço C.

Após seguimento mediano de 4,5 anos, a adição de Veliparib resultou numa taxa de recorrência 37% (HR:0,63) menor em relação ao taxano isolado, porém sem benefício quando comparado ao braço de carboplatina e paclitaxel (HR: 1,12). A adição de carboplatina demonstrou redução de 43% no risco de recorrências comparado ao taxano isolado (HR: 0,57). Essa intensificação do tratamento se traduziu numa melhora de 11% na taxa de sobrevida livre de recorrência absoluta. Os dados foram independentes da presença de mutação germinativa de BRCA. A adição de Veliparibe não resultou em melhora de resposta patológica completa, sobrevida livre de recorrência ou sobrevida global.

Os dados atualizados do BrighTNess nos fornece mais uma evidência do benefício da adição de carboplatina neoadjuvante ao protocolo de tratamento dos tumores de mama triplo negativo.

REFERÊNCIAS:

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Dra Cecília Arraes
Médica Oncologista
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