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Câncer de próstata em vigilância ativa e exercício físico: Estudo ERASE

Por Dra. Carolina Zitzlaff

Com o aumento do diagnóstico de câncer de próstata, um grande número de pacientes com doença de risco intermediário a baixo tem tido a vigilância ativa como opção de manejo, que tem como vantagens evitar morbidade e custos de tratamentos, sem prejuízo a sobrevida. No entanto, esses pacientes parecem ter um aumento relevante no risco de doenças cardiovasculares e até 30% evoluem com progressão de doença, necessitando de tratamento de intervenção em 55% dos casos após 10 anos. Além dos benefícios cardiovasculares da atividade física já conhecidos, modelos animais mostram que o exercício aeróbico pode suprimir tumores prostáticos.

Este estudo canadense, fase 2, unicêntrico, procurou avaliar o efeito do exercício físico na aptidão cardiorrespiratória e na progressão bioquímica em homens com Câncer de próstata localizado em vigilância ativa.

Eram elegíveis pacientes com Ca de próstata de risco muito baixo a intermediário favorável, que estivessem em vigilância ativa, que não estivessem realizando exercícios físicos vigorosos regularmente, e eram randomizados para realizar HIIT (High-intensity interval training) ou exercício padrão.

O grupo do HIIT faria 12 semanas de exercício 3x na semana, supervisionado, com duração de 28 a 40 minutos, com objetivo de atingir o consumo de O2 (VO2) de 85 a 95%, enquanto o grupo controle deveria manter sua rotina de exercícios já habitual.

O desfecho primário era o pico de consumo de oxigênio, um marcador estabelecido de risco cardiovascular, avaliado na randomização e após o período de intervenção. Já os desfechos secundários eram indicadores de progressão bioquímica, como PSA total e cinética de PSA.

Foram incluídos um total de 52 pacientes com idade média de 63,4 anos, com 26 pacientes em cada grupo. A aderência ao HIIT foi de 96%.

Como resultados, além dos ganhos em relação ao consumo de oxigênio, força em membros superiores e flexibilidade nos membros inferiores, o grupo que realizou HIIT teve um decréscimo significativo nos níveis de PSA total −1.1 μg/L; 95% CI, −2.1 to 0.0; P = .04). Em relação ao tempo de duplicação do PSA, houve uma tendência a melhora no grupo que fez o HIIT, mas sem significância estatística.  Também não houve diferenças em relação aos níveis de testosterona.

Os mecanismos biológicos dos efeitos do exercício no câncer de próstata ainda não estão claros. Um mecanismo plausível é que haveria aumento da imunovigilância durante e após o exercício, com mobilização de células natural killer, aumento de norepinefrina e de IL-634; acontecendo apenas em exercícios de alta intensidade.

Outras possíveis explicações seriam por modulação de mediadores do sistema inflamatório, biomarcadores metabólicos e vascularização e perfusão tumoral. Em resumo, mais estudos são necessários para explorar a associação entre o exercício e o câncer de próstata, assim como melhor exploração de potenciais biomarcadores. No entanto, os resultados deste estudo são animadores, por se tratar de intervenção de baixo custo e baixo risco de efeitos adversos.

doi:10.1001/jamaoncol.2021.3067

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Dra Carolina Zitzlaff
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