SELECT Trial – Pennell NA et al. Journal of Clinical Oncology, 10 de janeiro de 2019
18/01/2019
Novidades ASCO GI/2019
30/01/2019
 
 

FOLFIRINOX versus GEMCITABINA como terapia adjuvante para câncer de pâncreas

Por Dra. Carolina Ferraz

Entre os pacientes com câncer de pâncreas metastático, a quimioterapia combinada com fluorouracil, leucovorina, irinotecan e oxaliplatina (FOLFIRINOX) resultou em uma sobrevida global mais longa do que a terapia com gemcitabina.

Diante destes dados surgiram hipóteses quanta  a eficácia e segurança de um regime de FOLFIRINOX modificado para terapia adjuvante em pacientes com câncer de pâncreas ressecado.

Em 20 de dezembro de 2018 foi publicado na revista científica New England Journal of Medicine estudo previamente apresentado na ASCO 2018 pelo Dr Conroy e colaboradores que comparou o papel do tratamento do protocolo FOLFIRINOX em relação a GEMCITABINA no tratamento adjuvante do câncer de pâncreas.

Este estudo multicêntrico, fase III com 493 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático ressecado comparou um regime de FOLFIRINOX modificado (oxaliplatina 85 mg/m², irinotecano 180 mg/m² [reduzido a 150 mg/m² após um procedimento protocolar], leucovorin 400 mg/m² e fluorouracil 2400 mg/m² a cada 2 semanas) com gemcitabina (1000 mg/m² nos dias 1, 8 e 15 a cada 4 semanas) como terapia adjuvante em pacientes com câncer pancreático ressecado.

Após um seguimento  de 33,6 meses, a sobrevida livre de doença  mediana foi de 21,6 meses no grupo FOLFIRINOX modificado e de 12,8 meses no grupo gemcitabina (P <0,001). A taxa de sobrevida livre de doença em 03 anos foi de 39,7% no grupo FOLFIRINOX modificado e 21,4% no grupo gemcitabina. A mediana da sobrevida global foi de 54,4  meses no grupo FOLFIRINOX modificado e 35 meses no grupo gemcitabina (P = 0,003).

Em relação a avaliação de toxicidades conforme já esperado pelos conhecimentos prévios do tratamento da doença metastática , os eventos adversos de grau 3 ou 4 foram mais frequentes no braço do FOLFIRINOX modificado, ocorrendo em 75,9% dos pacientes  neste grupo e em 52,9% daqueles fo grupo gemcitabina.

Este estudo consolidou um novo protocolo padrão no tratamento adjuvante do câncer de pâncreas ressecado e abriu espaço para novos pontos a explorar  sobre o melhor momento de exposição a quimioterapia sistêmica no cenário da doença localizada. O uso do tratamento sistêmico neoadjuvante pode destruir micrometástases indetectáveis ​​e aumentar a chance de que o tumor possa ser completamente removido por meio de cirurgia e deverá ser  um objetivo cada vez mais explorado nos futuros estudos sobre o tema.

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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