Impacto da infecção por Covid 19 em pacientes oncológicos acompanhados em um centro de tratamento multidisciplinar de oncologia em Pernambuco: uma série de casos

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Impacto da infecção por Covid 19 em pacientes oncológicos acompanhados em um centro de tratamento multidisciplinar de oncologia em Pernambuco: uma série de casos

Comentado por: Dra Emmanuely Duarte

A Covid- 19 foi o termo criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a doença emergente e de alta transmissibilidade causada pelo novo coronavírus, o Sars-cov-2. Sabe-se que pacientes oncológicos têm um risco aumentado de desenvolver uma apresentação mais grave da doença, seja pela imunossupressão causada pelo próprio câncer, seja decorrente do tratamento utilizado. Ainda nesse contexto, foi evidenciado um atraso do acompanhamento oncológico em virtude da pandemia pela Covid 19, o que pode ocasionar piores desfechos clínicos nesses pacientes.

Foi realizada uma análise retrospectiva com base em dados do prontuário eletrônico de 48 pacientes oncológicos que tiveram o diagnóstico de Covid-19 entre janeiro e dezembro de 2020, acompanhados no Real Instituto de Oncologia do Hospital Português. O objetivo foi analisar o impacto causado pela infecção por Covid-19 nesses pacientes e comparar com os dados da literatura, além de descrever as características clínico – epidemiológicas desses doentes.

A média de idade foi 61 anos (DP=19) e 35 pacientes (73%) apresentavam doença oncológica avançada. As neoplasias mais frequentemente encontradas foram: hematológicas (18,9%), trato gastrointestinal (18,8%) e mama (16,7%) e o tratamento mais utilizado foi a quimioterapia (33,3%). Dentre os pacientes que foram a óbito quatro (40%) possuíam o diagnóstico de neoplasia do trato gastrointestinal. Com relação àqueles pacientes que atrasaram o seguimento ou tratamento oncológico, seis (60%) apresentavam doença em estágio avançado (III ou IV), com p =0,028.  Sete pacientes (14,5%) atrasaram o seguimento e 3 ( 6%) atrasaram o tratamento, com uma média de atraso de 2,7 meses para aqueles que estavam em tratamento ativo. A taxa de mortalidade foi 20,8% e 80% dos doentes que faleceram por complicações da Covid 19 apresentavam doença avançada, com p = 0,765).

Nesse estudo, a despeito da ausência de relevância estatística, houve destaque para a taxa elevada de mortalidade (20,8%) que pode estar relacionada à presença de doença avançada e de outras comorbidades associadas na maior parte desses individuos. Uma análise retrospectiva com dados do INCA publicada em 26 de abril de 2020 na Revista Plos One também evidenciou elevadas taxas de complicações e mortalidade em pacientes oncológicos que foram infectados pelo corononavirus, chegando a 37 ,7% nos pacientes com tumores sólidos e 23,5% naqueles com neoplasias hematológicas. Essa mortalidade elevada também estava associada à presença de doenças em estádio avançado, sendo consistente com a nossa análise. Quanto ao atraso, este foi maior no grupo que estava em seguimento como já esperado, pois são pacientes que possuem um acompanhamento mais espaçado. Apenas 3 doentes (6%) atrasaram o tratamento ativo. No entanto, devido ao curto follow-up não é possível ainda analisar o impacto deste atraso no desfecho dos pacientes oncológicos.

Apesar da amostra pequena e heterogênea (com diversos tipos de neoplasias e tratamentos) essa série de casos foi importante para traçar o perfil desses pacientes afim de otimizar a condução deles no nosso serviço de Oncologia , bem como para conhecer melhor ao longo do tempo as possíveis repercussões que a infecção pela COVID 19 pode ocasionar e tentar modificar os desfechos futuros.

 

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