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Por Carolina Ferraz

O câncer de pulmão de pequenas células compreende um subgrupo mais raro dentro das histologias do câncer de pulmão, representa cerca de 10 a 15% dos casos e se caracteriza pelo seu comportamento de crescimento mais agressivo, tendência a disseminação precoce e menores taxas de sobrevida a longo prazo.

Durante muitos anos poucos tratamentos foram incorporados de forma relevante no cenário terapêutico desta doença e levando em consideração estas particularidades são cada vez maiores os esforços mundiais de pesquisas na área da oncologia na busca por um maior arsenal de tratamento que beneficie este grupo de tumores.

Uma importante notícia sobre o tema ganhou destaque no cenário americano em junho deste ano com a aprovação do uso da imunoterapia pembrolizumabe em monoterapia para o tratamento do câncer de pulmão de pequenas células avançado com progressão após duas ou mais linhas de tratamento (uma delas com regime com doblet de platina).

Esta aprovação foi baseada em dados agrupados do KEYNOTE-158 (coorte G) e KEYNOTE-028 (coorte C1), dois estudos multicêntricos internacionais que avaliaram o uso do pembrolizumabe no câncer de pulmão pequenas células avançado. Entre os 83 doentes inscritos nos ensaios , 64% receberam duas linhas anteriores de tratamento e 36% receberam três ou mais linhas de tratamento, 60% receberam radioterapia torácica prévia, e 51% receberam radioterapia prévia ao cérebro.

Os doentes avaliados quanto à eficácia recebiam  pembrolizumab 200 mg por via intravenosa a cada três semanas (n=64) ou pembrolizumab 10 mg/kg por via intravenosa a cada duas semanas (n=19). O tratamento com pembrolizumab continuou até progressão da doença, toxicidade inaceitável ou um máximo de 24 meses. Os pacientes com progressão inicial da doença radiográfica poderiam receber doses adicionais de pembrolizumab durante a confirmação da progressão, a menos que a progressão da doença fosse sintomática, fosse rapidamente progressiva, exigisse intervenção urgente ou ocorresse com um declínio no desempenho. Os principais desfechos foram a taxa de resposta objetiva (ORR) e a duração da resposta (DOR).

A análise de eficácia mostrou uma taxa de resposta de 19%, 02% de respostas completas e 17% de respostas parciais. Dentre os pacientes com algum grau de resposta, 94% mantiveram o benefício por período igual ou maior que 6 meses, 63% por 12 meses, e 56% por ao menos 18 meses, com duração de respostas variando entre 4,1 a 35,8 meses.

Sobre o perfil de toxicidade  as reações adversas ocorridas foram semelhantes às que ocorreram em outros tumores sólidos que receberam pembrolizumab em monoterapia para outros cenários.

Estes resultados confirmam que a imunoterapia tem um papel muito importante para os pacientes com câncer de pulmão de células pequenas. Pembrolizumab é já uma opção terapêutica estabelecida para o câncer de pulmão de células não pequenas, e esta nova  aprovação no câncer de pulmão de células pequenas demonstra o compromisso das instituições de pesquisa em  apresentar novas opções de tratamento para doentes em estádios avançados com tumores difíceis de tratar e infelizmente órfãos de arsenais terapêuticos eficazes.

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Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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