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KATHERINE - T-DM1 adjuvante no câncer de mama HER-2 positivo com doença residual invasiva

Por Dra. Ana Caroline Patu

Em 2018 no San Antonio breast cancer symposium (SABCS 2018) foi apresentado e publicado simultaneamente no New England Jornal of Medicine o estudo KATHERINE. Foi um estudo aberto de fase III com 1486 pacientes com câncer de mama Her-2 positivo que apresentava doença residual na mama ou axila após receber terapia neoadjuvante contendo um taxano com ou sem antracíclico e trastuzumabe.

Após a cirurgia as pacientes com doença residual foram randomizadas, 743 receberam TDM1(Trastuzumabe entansina) 3,6mg/kg EV a cada 3 semanas e 743 receberam trastuzumabe 6mg/kg a cada 3 semanas por 14 ciclos. O endpoint primário do estudo foi sobrevida livre de doença invasiva (IDFS). Os pacientes receberam radioterapia e ou terapia endócrina.

A administração do TDM-1 aumentou significativamente a sobrevida livre de doença invasiva em comparação com o trastuzumabe (HR =0,5, 95% IC: 0,39 a 0,64; p<0,0001). Eventos de doença invasiva ocorreram em 12,2% no braço do TDM-1 e  22,2% no braço do trastuzumabe. O beneficio foi consistente em todos os subgrupos. O tratamento com TDM-1 aumentou o IDFS em 3 anos para 88,3% versus 77% com trastuzumabe. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos.

O perfil de segurança foi consistente com os efeitos adversos já conhecidos do TDM-1, como plaquetopenia, fadiga, alteração de função hepática, manejáveis com redução de dose. Como conclusão o TDM-1 reduziu o risco de recorrência invasiva ou morte em 50%, com redução absoluta em 11% na sobrevida livre de doença invasiva em 3 anos.

Acredito que com os resultados deste estudo, mudamos a nossa prática clínica e o novo padrão para estas pacientes selecionadas Her-2 positivas, que não tiveram resposta patológica completa após quimioterapia neoadjuvantes e que apresentam alto risco de recorrência e morte passa a ser o TDM1 por 14 ciclos após a cirurgia.

Author profile
Dra Ana Caroline Patu
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em medicina na Universidade Federal de Pernambuco.

Residência médica em oncologia clínica no Hospital Sírio Libanês, São Paulo-SP.

Oncologista do Real Instituto de Oncologia e do Hospital das Clínicas da UFPE.

Preceptora de Residência médica de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

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