Novidades ASCO – GU 2020 em Tumores de Testículo
29/03/2020
Níveis de PSA pré- radioterapia de resgate e desfechos da terapia de deprivação de andrógeno de longa duração
12/04/2020
 

Keynote-177- Imunoterapia em primeira linha para Câncer Colorretal avançado

Por Cecília Arraes

Em 02 de abril de 2020, tivemos o anúncio antecipado (press realease) do resultado positivo de um ensaio clínico bastante esperado. Apesar de ainda não ter sido publicado, o estudo Keynote-177 já demonstrou resultados satisfatório em um dos desfechos primários – sobrevida livre de progressão. É o primeiro estudo fase III comparando imunoterapia versus quimioterapia de primeira linha em pacientes com câncer colorretal metastático ou localmente avançado inoperáveis, nos pacientes com deficiência nas enzimas do gene de reparo do DNA (mismatch repair deficient – dMMR) ou instabilidade de microssatélite (MSI-H).

Esse grupo de pacientes compreendem 15-20% dos casos de câncer colorretal avançado e assim como em outras neoplasias, são os pacientes com melhor resposta à imunoterapia. Até o presente trabalho, inibidores de checkpoint eram usados com essa mesma indicação, porém em pacientes refratários a outras linhas de tratamento, tanto em monoterapia com anti–PD1 (Pembrolizumabe/Nivolumabe) quanto em terapia combinada com Ipilimumabe (Anti-CTLA-4), baseados nos resultados do Keynote-164 e do Checkmate-142, respectivamente.

O Keynote-177 foi aberto em setembro de 2015, evolveu 308 pacientes randomizados para um dos braços – Imunoterapia com Pembrolizumabe 200mg a cada 3 semanas ou quimioterapia de primeira linha. Seis esquemas de tratamento eram possíveis no grupo de quimioterapia – mFOLFOX6 ou FOLFIRI com ou sem bevacizumabe ou cetuximabe.

Os objetivos primários do estudo foram sobrevida livre de progressão e sobrevida global e como desfecho secundário, taxa de resposta, todos relevantes e essenciais para um ensaio clíníco de terapia de primeira linha.

Os critérios de inclusão e exclusão foram os mesmos de outros trabalhos envolvendo imunoterapia e os pacientes poderiam ter recebido tratamento adjuvante com quimioterapia desde que finalizado há mais de 6 meses da randomização. O estudo permitiu cross-over para o outro braço em caso de progressão de doença. Em relação ao perfil de toxicidade e segurança, os efeitos colaterais foram os já esperados e conhecidos para ambos os braços do trabalho.

Esse trabalho será mais um marco na Oncologia moderna, uma vez que uma droga sozinha, com melhor perfil de toxicidade, conseguiu superar os melhores esquemas de quimioterapia de primeira linha em Câncer Colorretal, o terceiro mais prevalente e o segundo em mortalidade por câncer no mundo. Sabemos que a Imunoterapia ainda não é para todos os pacientes, mas quando bem indicada e selecionada mostra-se superior aos tratamentos convencionais em todos os aspectos.

Aguardaremos ansiosos a publicação do trabalho e os desfechos em sobrevida global.

Referências:

  1. https://investors.merck.com/news/press-release-details/2020/Merck-Announces-KEYTRUDA-pembrolizumab-Significantly-Improved-Progression-Free-Survival-as-First-Line-Treatment-for-Advanced-Microsatellite-Instability-High-MSI-H-or-Mismatch-Repair-Deficient-dMMR-Colorectal-Cancer/default.aspx
  2. https://clinicaltrials.gov/ct2/show/record/NCT02563002
Author profile
Dra Cecília Arraes
Médica Oncologista
 
Buy now