Dezembro Laranja
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Sobrevida livre de tratamento : Um novo endpoint na era da imunoterapia
12/12/2019
 

Niraparibe no tratamento de neoplasia de ovário avançado

Por: Ana Caroline Patu

No último Congresso Europeu de Oncologia foram apresentados os dados do estudo PRIMA/ENGOT que mostrou benefício em sobrevida livre de progressão em pacientes com neoplasia de ovário, peritônio ou tuba uterina, após quimioterapia baseado em platina, independente do status de BRCA.

Neste estudo de fase III foi avaliado o uso do niraparibe em pacientes com neoplasia de ovário seroso ou endometrioide de alto grau avançado com resposta parcial ou completa a quimioterapia baseada em platina, por um período de 36 meses ou até progressão de doença. Deveriam iniciar o niraparibe em até 12 semanas do término da quimioterapia.

Foram randomizadas 733 pacientes, 2:1 para niraparibe versus placebo. O endpoint primário foi sobrevida livre de progressão (SLP) avaliado por uma revisão independente. As pacientes eram estratificadas de acordo com melhor resposta a primeira linha, regime de quimioterapia neoadjuvante e deficiência de recombinação homóloga (DRH) pelo teste Myriad mychoice.

Destas pacientes, 51% tinham déficit de recombinação homóloga, 35% tinha doença em estágio IV, 67% receberam quimioterapia neoadjuvante e 31% tinham resposta completa a primeira linha de tratamento.  Com seguimento mediano de 13 meses, para pacientes com DRH tivemos uma SLP de 21,9 meses versus 10,4 meses no grupo placebo, 13,8 meses versus 8,2 meses na população geral.  Nas pacientes com mutação de BRCA a diferença foi mais acentuada, 22,1 versus 10,9 meses e nas pacientes com déficit de recombinação homóloga mais sem mutação de BRCA, observou uma SLP de 19,6 versus 8,2 meses. No subgrupo com proficiência de RH a mediana foi de 8,1 versus 5,4 meses para o grupo do placebo.

Todos os subgrupos avaliados que usaram niraparibe tiveram benefício livre de progressão, com uma substancial redução de recorrência e morte naquelas pacientes com déficit de recombinação homóloga. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos. Os principais efeitos adversos foram anemia, trombocitopenia e neutropenia.

Como conclusão o niraparibe aumentou significativamente a sobrevida livre de progressão em pacientes com câncer de ovário de alto risco recém diagnosticado, e deve ser considerado no tratamento após quimioterapia de primeira linha, com bom perfil de segurança.

Author profile
Dra Ana Caroline Patu
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em medicina na Universidade Federal de Pernambuco.

Residência médica em oncologia clínica no Hospital Sírio Libanês, São Paulo-SP.

Oncologista do Real Instituto de Oncologia e do Hospital das Clínicas da UFPE.

Preceptora de Residência médica de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

 
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