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Novidades ASCO – GU 2020 em Tumores de Testículo

Por Cecília Arraes

Aproveitando o texto anterior sobre câncer de testículo, continuamos nossas publicações sobre o tema. Nesse texto, trago para vocês os destaques apresentados na ASCO-GU que aconteceu em San Francisco de 13-15 de fevereiro de 2020. Como esse tipo de tumor conta com publicações bem menos frequentes, aproveitaremos a oportunidade para enfatizá-las.

-> O primeiro trabalho foi uma atualização de banco de dados sobre tumores Germinativos subtipo Seminomas do Consórcio internacional do IGCCCG. Os dados iniciais publicados em 1997 foram atualizados com inclusão de mais pacientes.

Tumores definidos como prognóstico favorável tiveram aumento de sobrevida livre de progressão em 5 anos de 82 para 89% e sobrevida global de 86% para 95%.

Também houve melhora dos desfechos nos pacientes de prognóstico intermediário, representados na primeira coorte por 10% dos pacientes. Atualmente com sobrevida livre de progressão de 78,4% e sobrevida global de 87,2%, mas com amostra que representou apenas 2% de toda a população do estudo.

Outro dado importante foi a associação entre elevação de DHL e pior desfecho em pacientes com prognóstico favorável. Com ponte de corte de 2,5x, os pacientes com DHL elevado tiveram sobrevida livre de progressão de 79,2%, enquanto aqueles com DHL normal, 92,1%, sendo comparados com pacientes de grupo intermediário.

-> O segundo trabalho apresentando sobre tumores de células Germinativas, o SEMITEP trial, estudo de fase II, francês, avaliou o uso de PET-FDG para desescalonar tratamento em Seminomas com prognóstico favorável.

O racional do estudo se baseia nas publicações dos trabalhos anteriores, que mostram uma queda de sobrevida em pacientes com tumores germinativos 30 anos após tratamento, principalmente as custas de toxicidades tardias, como neoplasias secundárias, que aumentam proporcionalmente com número de ciclos de cisplatina.

O desenho do estudo consistiu em realização de PET/FDG antes do tratamento e após 2 ciclos de EP (Etoposídeo e Cisplatina). No caso de PET negativo, o paciente faria 1 ciclo de Carboplatina isolada. Se doença metabólica residual após 2 ciclos de EP, pacientes continuavam com a programação de mais 2 ciclos de EP. Os dados do trabalham mostram que não houve diferença em sobrevida global entre os pacientes nas duas estratégias de tratamento.

Com 99 pacientes, dos quais, 94 fizeram PET antes do tratamento, após 2 ciclos, o PET controle foi negativo em 68 (72%) dos pacientes e positivo em 26 (28%) dos pacientes. Dentre os 68, 63 pacientes com PET negativo pós tratamento realizaram 01 ciclo de Carboplatina. No outro grupo, 24 dos 26 pacientes realizaram mais 2 ciclos de EP.

Após 34,4 meses de follow-up, 8 pacientes recorreram – 2 no grupo do EP e 6 no grupo da Carboplatina. Sobrevida livre de progressão em 2 anos foi de 93,7% no grupo da Carboplatina e 92,9% no grupo que recebem EP.

O estudo conclui que a desintensificação do tratamento parece segura, mas ainda não é o momento de mudança de conduta. Estudos de fase III comparando as duas estratégias devem ser realizados.

-> O último trabalho abordou a questão de manter cirurgia de ressecção de massas retroperitoneais residuais em pacientes pós quimioterapia. Tratou-se de estudo retrospectivo, envolvendo 2 centros, com 1181 pacientes. Do total de pacientes, 235 foram submetidos à cirurgia pós quimioterapia. A análise da peça patológica evidenciou 21% de pacientes com tumor viável, 39,7% Teratoma, 39,6% de necrose/fibrose.

Em relação a complicações cirúrgicas, 27% tiveram ressecção de múltiplos órgãos, sendo o rim o órgão mais atingido, seguido pela veia Cava e fígado. Complicações intraoperatórias ocorreram em 21% dos pacientes.

Pacientes com tumor viável na peça cirúrgica tiveram menor tempo livre de recorrência. Com média de follow-up de 22 meses, a taxa de sobrevida livre em 5 anos foi de 18% entre os pacientes com tumor viável, 54% em pacientes com teratoma e 81% nos que apresentaram apenas necrose na peça cirúrgica.

O estudo conclui enfatizando a necessidade de definir melhor os pacientes que de fato necessitam de cirurgia após tratamento, talvez com estratégias que definam melhor quem tem tumor viável ou teratoma nas lesões residuais (biópsia por congelação?), poupando pacientes de cirurgias grandes com probabilidade não desprezível de complicações.

 

Referências:

  1. https://meetinglibrary.asco.org/record/183212/abstract
  2. https://meetinglibrary.asco.org/record/183261/abstract
  3. https://www.urotoday.com/conference-highlights/asco-gu-2020/asco-gu-2020-penile-urethral-testicular-and-adrenal-cancers/119380-asco-gu-2020-can-advanced-seminoma-be-managed-with-a-risk-stratified-approach.html
  4. https://www.urotoday.com/conference-highlights/asco-gu-2020/asco-gu-2020-penile-urethral-testicular-and-adrenal-cancers/119360-asco-gu-2020-evaluation-of-the-oncologic-benefit-of-adjunctive-surgery-at-time-of-post-chemotherapy-retroperitoneal-lymph-node-dissection.html

 

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Dra Cecília Arraes
Médica Oncologista
 
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