Atualização dos dados do estudo CODEBREAK 100 – Sotorasibe para câncer de pulmão com mutação do KRAS . pG12C

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Atualização dos dados do estudo CODEBREAK 100 – Sotorasibe para câncer de pulmão com mutação do KRAS . pG12C

Comentado por Dra Carolina Ferraz

Apresentado este último final de semana 04 de junho  na sessão de apresentações orais da ASCO pelo Dr Ferdinando Skoulidis , do departamento de oncologia torácica e cabeça e pescoço do MD Anderson Cancer Center (EUA) e com publicação simultânea no New England Journal of medicine , atualização de dados de estudo fase II que avaliou a atividade de sotorasibe , droga alvo com ação específica na mutação do pG12C da proteína do KRAS.

As mutações do gene KRAS são frequentemente encontradas no câncer de pulmão não pequenas células metastático, correspondendo a cerca de 30% das mutações drivers destes tumores. Entre elas destaca-se a mutação G12C ( substituição do aminoácido glicina por cisteína na posição do códon 12), que costuma também ser a mutação do KRAS mais frequente no câncer de pulmão não pequenas células de subtipo escamoso, numa frequência de 13% dos pacientes. Até recentemente os estudos direcionados para as mutações de KRAS não haviam apresentado resultados consistentes para uso de drogas na prática clínica.

Sotorasibe, droga alvo com ação específica sobre a mutação do G12C na proteína do KRAS, já havia mostrado atividade animadora em estudo de fase 1 para tumores sólidos com mutação do KRAS p.G12C , com atividade particularmente promissora no subgrupo de pacientes com câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC).

Neste estudo foi avaliada a atividade de sotorasibe administrado por via oral na dose de 960 mg uma vez ao dia em pacientes com CPNPC avançado com mutação KRAS .pG12C previamente tratados com terapia padrão.

O endpoint primário foi resposta objetiva (completa ou parcial) de acordo com revisão central independente. Endpoints secundários incluíram duração de resposta, controle de doença (definido com resposta completa, parcial ou doença estável), sobrevida livre de progressão, sobrevida global e perfil de segurança. Biomarcadores exploratórios foram avaliados quanto à associação com resposta ao sotorasibe.

Foram recrutados 126 pacientes, a maioria (81%) havia recebido previamente quimioterapia à base de platina e inibidores de checkpoint (anti-PD1/ anti-PD-L1). De acordo com revisão central, 142 pacientes  tinham doença mensurável  no início do estudo e foram avaliados quanto à resposta. Resposta objetiva foi observada em 46 pacientes (37,1%), 04 com resposta completa (3,2%) e 42 (33,9%) com resposta parcial.

A mediana de duração de resposta foi  11,1 meses, controle de doença ocorreu em 100 pacientes  (80,6% ), mediana de sobrevida livre de progressão de 6,8  meses e mediana de sobrevida global de 12,5 meses . Eventos adversos ocorreram em 88 dos 126 pacientes, sendo diarreia, náuseas, fadiga e elevação de transaminases os eventos mais comuns, incluindo 25 dos pacientes com eventos grau 03(19,8%) e (0,8%) eventos grau 04. Respostas foram observadas em subgrupos definidos de acordo com expressão de PD-L1, TMB (carga mutacional de tumor), mutação em STK11, KEAP 1ou TP53.

Este estudo concluiu que a terapia com sotorasibe levou a um benefício clínico durável com perfil de tolerância seguro em pacientes com CPNPC e mutação do KRAS p.G12C previamente tratados, resultado animador por se tratar de uma droga oral, com excelente perfil de segurança e resultados superiores quanto comparados aos atuais protocolos de quimioterapia disponíveis no cenário pós platina e imunoterapia que apresentam taxas de resposta em torno de 25% e sobrevida livre de progressão inferior a 06 meses.

O FDA (agência regulatória americana) aprovou no dia 28 de maio de 2021 o sotorasibe (lumakras) para pacientes com CPNPC previamente tratados com mutação do KRAS p.G12C avaliados pela plataforma de diagnóstico  Guardant 360Dx.

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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