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Keynote-054: Adjuvant pembrolizumab versus placebo in resected stage III melanoma

Por: Dra. Carolina Ferraz

Publicado no New England Journal of medicine em 15 de Abril de 2018, o estudo do grupo EORTC, Keynote 054, avaliou o benefício de pembrolizumab (keytruda) no cenário adjuvante para pacientes com diagnóstico de melanoma estádio III.
O anticorpo anti PD-1, pembrolizumab , já tem seu uso consolidado e benefício previamente confirmado no aumento da sobrevida livre de progressão e sobrevida global entre pacientes com melanoma avançado.

A publicação atual foi um estudo fase III, duplo cego, placebo controlado, que avaliou pacientes com as mesmas características de alto risco dos pacientes do estudo EORTC 18071 que confirmou o papel do ipilimumab no cenário adjuvante.
Foram recrutados pacientes com idade maior ou igual a 18 anos e histologia confirmada de melanoma com metástases para linfonodos regionais. Os pacientes deveriam ser estádio IIIA ( com envolvimento N1a com micrometástases > 01 mm) ou estádio IIIB, IIIC sem metástases em trânsito. Foram excluídos pacientes com ECOG superior a 01, doença autoimune, infecção não controlada, uso de corticóide sistêmico e terapia prévia para melanoma. Todos os pacientes do estudo tiveram suas amostras tumorais testadas para a expressão de PD-L1.

Os pacientes eram randomizados num desenho 1:1 para receber pembrolizumab 200 mg ou placebo a cada 03 semanas por um total de 18 doses ou até recorrência ou toxicidade limitante.

Após uma média de seguimento de 15 meses, pembrolizumab foi associado com aumento da sobrevida livre de recorrência na população total do estudo em relação ao grupo placebo. A sobrevida livre de progressão para o grupo do pembrolizumab também foi superior para todas as populações independente da expressão de PD-L1. Benefício semelhante também foi encontrado em pacientes com estádio IIIA, IIIB e IIIC e em pacientes com envolvimento linfonodal micro ou macroscópico, esta vantagem foi discretamente maior , mas não estatisticamente significativa, nos paciente com melanoma ulcerado em relação aos não ulcerados.
O risco de recorrência ou morte na população geral foi 43 % menor no grupo pembrolizumab em relação ao placebo , este risco foi de 46% no grupo do pembrolizumab para pacientes com expressão de PD-L1 positiva, com resultados semelhantes nos pacientes com expressão negativa.

Conforme esperado os efeitos adversos grau 03 a 05 foram mais frequentes no grupo da imunoterapia representando 14,7% dos casos em relação a 3,4% no grupo placebo. A maioria dos efeitos colaterais eram eventos imunomediados já conhecidos e evidenciados em estudos prévios sobre o tema.

Os dados de sobrevida global e sobrevida livre de metástases deste estudo encontram-se em andamento e ainda não foram publicados.

Em conclusão , pembrolizumab como terapia adjuvante para pacientes com melanoma estádio III ressecado, alto risco foi associado com aumento de sobrevida livre de recorrência quando comparado a placebo independente da expressão de PD-L1. Tendo pembrolizumab perfil de toxicidade manejável e já previamente conhecido.

Esta droga em conjunto com os já previamente aprovados Ipilimumab e Nivolumab no cenário adjuvante para melanoma estádio III alto risco representa o aumento das estratégias terapêuticas desta doença , ampliando as armas de tratamento desta doença grave que até poucos anos apresentava limitado arsenal terapêutico.

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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