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Duration of adjuvant chemotherapy for stage III colon cancer

Por: Dra. Carolina Ferraz

Apresentado em sessão plenária do Congresso Americano de Oncologia (ASCO) em 04 de junho de 2017 e publicado na revista científica New England Journal of Medicine (NEJM) em 29 de março de 2018, o estudo do grupo colaborativo IDEA evidenciou que alguns pacientes com câncer de cólon estádio III podem se beneficiar apenas da metade da dose padrão de quimioterapia adjuvante.

Desde 2004, o regime de 06 meses de tratamento adjuvante com oxaliplatina mais fluoropirimidas tem sido a terapia adjuvante padrão em pacientes com câncer de cólon estágio III. Entretanto, para minizar os efeitos colaterais cumulativos de neurotoxicidade associados a oxalipplatina, regimes de duração mais curta tem sido testados neste cenário de tratamento.

Este estudo trata-se de uma análise prospectiva, pré planejada de dados agrupados de 06 estudos randomizados de fase III realizados simultaneamente em 12 países da América do Norte, Europa e Ásia.

O objetivo primário do estudo foi avaliar a não inferioridade do tratamento adjuvante com FOLFOX ou CAPOX por 03 meses comparado ao clássico esquema de 06 meses de quimioterapia adjuvante no câncer de cólon estádio III.

O tratamento incluiu 12834 pacientes e após uma análise de 3263 eventos, a não inferioridade de 03 meses de tratamento versus 06 meses não foi confirmada na análise da população global do estudo (74,6% versus 75,5%). Numa análise de subgrupos a não inferioridade de regime curto foi visto para CAPOX (Hazard ratio, 1,07; 95% intervalo de confiança, 1.00 a 1.15) mas não para FOLFOX (hazard ratio, 1.16; 95% CI, 1.06 a 1.26).

Na análise exploratória dos regimes combinados, entre os pacientes T1, T2 ou T3 e pacientes N1, 03 meses de terapia foi não inferior a 06 meses, com uma taxa de sobrevida livre de doença em 03 anos de 83,1% e 83.3%, respectivamente (hazard ratio, 1.01; 95% CI, 0.90 to 1.12). Entre pacientes com tumores que foram classificados como T4, N2 ou ambos a taxa de sobrevida livre para regime de 06 meses de terapia foi superior a 03 meses de tratamento (64.4% vs. 62.7%, hazard ratio, 1.12; 95% CI, 1.03 to 1.23; P=0.01).

A frequência de neurotoxicidade grau 02 ou mais variou conforme o regime de quimioterapia utilizado, sendo de maior intensidade nos pacientes que receberam 06 meses versus 03 meses de quimioterapia com oxaliplatina (45% vs 15% com FOLFOX e 48% vs. 17% com CAPOX), conforme esperado a neurotoxidade grau 03 foi também superior para o regime de 06 meses (16% vs 03% FOLFOX, 09% vs 03% CAPOX, p < 0,0001).

Embora a não inferioridade não tenha sido comprovada na população geral do estudo, este estudo foi de grande importância pois permitiu conhecer um subgrupo de pacientes que pode se beneficiar do regime mais curto de tratamento adjuvante sendo desta forma menos afetados pelos efeitos colaterais da quimioterapia com astenia, fadiga e principalmente danos neurais.

O estudo traz entretanto discussões a respeito das diferença de resultados com as doses de FOLFOX e CAPOX por 03 e 06 meses. Enquanto o protocolo CAPOX por três meses parece ser não inferior a 06 meses, este resultado não se repetiu para o regime FOLFOX. Uma hipótese explicativa para estes resultados é que com CAPOX a intensidade da quimioterapia é maior no início do protocolo, devido a maior dose oxaliplatina.

Como conclusão deste estudo, embora para pacientes com câncer de cólon estádio III recebendo quimioterapia adjuvante a não inferioridade de 03 meses de terapia comparado a 06 meses não tenha sido estatisticamente comprovada. Alguns subgrupos de pacientes com doença de critérios de menor risco (T1-T3,N1) e em pacientes tratados com CAPOX, a terapia adjuvante por 03 meses não foi inferior a regime de tratamento por 06 meses.

 

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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