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Quimioterapia associada a imunoterapia: nova opção de tratamento na primeira linha do câncer de pulmão não pequenas células metastático

Por: Dra. Carolina Ferraz

Apresentado durante o American Association Cancer Research e simultaneamente publicado na revista New England Journal of medicine em 16 de abril de 2018 o estudo Keynote 189 estabeleceu um nova opção de tratamento para o tratamento do câncer de pulmão não pequenas células metastático em pacientes.

Antes desta publicação o tratamento do câncer de pulmão não pequenas células metastático dos pacientes sem mutação alvo conhecida e sem expressão significativa de PD-L1 permanecia baseado no tradicional uso de quimioterapia baseada em drogas platinantes. Mais recentemente foi aprovado uso de imunoterapia com Pembrolizumab , droga inibidora do checkpoint do sistema imune, para pacientes que apresentassem mais de 50% de expressão do marcador PD-L1.

O atual estudo KEYNOTE 189 representa mudanças importantes na prática médica atual. Trata-se de um estudo randomizado, fase III que avaliou pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (histologia não escamosa) estágio IV sem mutação EGFR ou ALK, que foram randomizados a receber quimioterapia padrão com pemetrexede e carboplatina, (pacientes com histologia não escamosa) versus o braço investigacional de pemetrexede, carboplatina e pembrolizumabe.

Após seguimento de 10,5 meses, o estudo mostrou resultados positivos de sobrevida global, sobrevida livre de progressão e taxa de resposta, todos em favor da combinação de quimioterapia e Pembrolizumab.

A combinação quimioterapia associada a Pembrolizumab quando utilizado em primeira linha de tratamento, reduziu em 50% o risco de morte em pacientes com câncer de pulmão – do tipo não pequenas células (CPNPC), metastático e não escamoso, independente da expressão do biomarcador PD-L1 nas células do tumor – quando comparado ao tratamento padrão, com o mesmo regime de quimioterapia, utilizado como terapia única (HR = 0,49 [IC 95%, 0,38-0,64]; p 0,00001).

A adição de pembrolizumab não aumentou significativamente a frequência de efeitos colaterais observados nos regimes de quimioterapia isolada. Os efeitos imunomediados também não foram mais comuns quando comparados ao uso de pembrolizumab como agente único.

Os resultados deste estudo foram animadores para a oncologia e a história do tratamento do câncer de pulmão. Nos Estados Unidos a combinação de quimioterapia e imunoterapia foi aprovada pelo FDA desde abril de 2017 após resultado de estudos fase 02 e agora com estes resultados já é possível falarmos em um novo padrão de tratamento para o câncer de pulmão não pequenas células (histologia não escamosa) estágio IV, independentemente da expressão de PD-L1.

Author profile
Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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