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Screening para Câncer de Pâncreas

Por Cecília Arraes

Continuando sobre o tema de câncer de Pâncreas, após comentar um pouco sobre tratamento neoadjuvante em tumores localmente avançado, discutiremos sobre indicação de rastreamento.

O adenocarcinoma de Pâncreas é a terceira causa de morte por câncer, com perspectivas de tornar-se a segunda em 2020. Menos de 1/3 dos pacientes conseguem submeter-se a cirurgia curativa no início do diagnóstico, uma vez que a maioria dos pacientes se encontram em estágio avançado. A sobrevida em 3-5 anos é de apenas 9% em todos os grupos.

Diante de uma patologia com elevada morbimortalidade e diagnóstico tardio, seria efetivo a realização de programa de rastreamento na população geral?

No mês de agosto de 2019, a USPSTF (US Preventive Services Task Force) – entidade responsável por emitir recomendações a respeito de estratégias de rastreamento em câncer, apresentou seu parecer contra os programas de screening de Câncer de Pâncreas em indivíduos assintomáticos e sem fatores de alto risco, corroborando suas recomendações de 2004. As estratégias de rastreamento têm nível de recomendação D e se baseou na revisão dos dados publicados sobre o tema até 04/2018.
Indivíduos com Síndromes Genéticas com risco elevado para Câncer de Pâncreas foram excluídos.

A conclusão do grupo é de que não há evidência de que o rastreamento do Câncer de Pâncreas ou o tratamento do câncer de pâncreas diagnosticado através de rastreamento melhore a mortalidade ou morbidade específica da doença ou a mortalidade por outras causas. Além disso, foi evidenciado que a estratégia de rastreamento pode oferecer riscos até moderados aos pacientes.

Por outro lado, pacientes com risco elevado – aqueles com história família positiva em 02 parentes consanguíneos, sendo 01 de primeiro grau, principalmente em idade precoce) e os portadores de mutações genéticas – mutações germinativas em ATMBRCA1BRCA2CDKN2APALB2PRSS1STK11TP53 e Síndrome de Lynch, cujo risco relativo de Câncer de pâncreas aumenta em até 5 vezes, derivam benefício do programa de rastreamento.  Outro grupo de risco que deriva benefício são os portadores de Diabetes de início recente. Esse grupo tem um risco de até 8x a mais de desenvolver câncer de Pâncreas e o início do diabetes parece anteceder o Câncer em até 3 anos.

Estudo recente com 354 indivíduos com risco elevado (história familiar ou síndromes genéticas) encontrou benefício do rastreamento em indivíduos com Adenocarcinoma e lesões precursoras de alto grau. A média de sobrevida foi maior nos indivíduos diagnosticados com Adenocarcinoma em exames de rastreio (5,3 x 1,4 anos) em relação aos indivíduos que receberam diagnóstico apenas na presença de doença. A sobrevida em 3 anos também foi maior – 85% x 25%.

Em conclusão, até o presente momento, não há recomendação para rastreamento de Câncer na população em geral. Os indivíduos com história familiar relevante, mutações genéticas conhecidas e diabetes de início recente parecem se beneficiar, porém são necessários mais estudos para definir a melhor estratégia, mesmo neste grupo de pacientes, considerando benefício, custo-efetividade e segurança para o paciente.

 

REFERÊNCIA:

  1. Ngamruengphong S, Canto MI. Screening for Pancreatic Cancer. Surg Clin North Am. 2016;96(6):1223–33.
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Dra Cecília Arraes
Médica Oncologista
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