Sobrevida livre de tratamento : Um novo endpoint na era da imunoterapia
12/12/2019
Citorredução Secundária no Câncer de Ovário
12/12/2019
 

Sequenciamento de enzalutamida e abiraterona no Câncer de próstata metastático resistente à castração

Por: Carolina Zitzlaff

Enzalutamida e  abiraterona, antiadrogênicos de nova geração, tem sido utilizados no tratamento do Câncer de próstata metastático resistente e, mais recentemente, também no cenário de doença sensível. No contexto de doença resistente, não há superioridade de um agente sobre o outro e são escolhidos baseado no perfil de toxicidade de cada medicação e nas comorbidades do paciente.

No intuito de avaliar se há um melhor sequenciamento, foi realizado um estudo canadense, multicêntrico, randomizado, aberto, Fase 2, recentemente publicado no Lancet Oncology, em novembro de 2019.

Os pacientes recrutados tinham mais de 18 anos e eram recém diagnosticados com câncer de próstata metastático resistente a castração sem diferenciação neuroendócrina com ECOG menor ou igual a 2. Deveriam manter a castração química durante todo o tratamento, desde que não castrados cirurgicamente. Uso prévio de abiraterona ou enzalutamida não era permitido, mas docetaxel poderia ter sido usado no cenário de doença sensível a castração.

Eram excluídos pacientes com contraindicações às medicações, metástase cerebral, doença epidural ativa, comorbidade severa, desordens gastrointestinais que pudessem afetar a absorção e história de convulsão ou eventos cerebrovasculares e expectativa de vida menor que 6 meses.

O desfecho primário era tempo de segunda progressão de PSA e resposta de PSA (Considerada  queda maior ou igual a 30% do basal) na terapia de segunda linha.

Foram randomizados 1:1 para receber abiraterona 1000mg/dia com prednisona 5mg/dia versus Enzalutamida 160mg/dia. Os pacientes recebiam a medicação até progressão de PSA e, posteriormente, era realizado crossover. Foram incluídos na análise 202 pacientes, 101 em cada grupo, com crossover em 72% e 74% em cada grupo, respectivamente.

A medicação deveria ser suspensa se progressão de PSA, necessidade de radioterapia para metástases ósseas sintomáticos, toxicidade limitante ou desistência. Após o crossover, a medicação era mantida até toxicidade ou progressão clínica.

O tempo para segunda progressão de PSA foi maior no grupo da abiraterona, com mediana de 19,3 meses, comparado a 15,2 meses no grupo da enzalutamida, com HR = 0,66 e p= 0,036. Em relação a resposta ao tratamento na segunda linha, 36% dos pacientes com uso de enzalutamida e apenas 4% no grupo da abiraterona. O perfil de toxicidade foi semelhante a estudos anteriores, com hipertensão sendo o efeito mais comum (27% no grupo A e 18% no grupo B) e fadiga o segundo mais comum ( 6 e 2%, respectivamente).

Esses dados sugerem que o sequenciamento de abiraterona seguido de enzalutamida parece trazer maior benefício clínico. Deve-se levar em consideração as comorbidades do paciente a ser tratado e se ponderar que se trata de estudo fase 2, apenas gerador de hipóteses, a ser confirmado em estudo fase 3.

Author profile
Dra Carolina Zitzlaff
 
Buy now