Niraparibe no tratamento de neoplasia de ovário avançado
09/12/2019
Sequenciamento de enzalutamida e abiraterona no Câncer de próstata metastático resistente à castração
12/12/2019
 

Sobrevida livre de tratamento : Um novo endpoint na era da imunoterapia

Por: Carolina Zitzlaff

Com o maior seguimento de pacientes com melanoma avançado expostos a imunoterapia, vê-se que, mesmo após a descontinuação do tratamento, muitos pacientes tem resposta duradoura, assim como também podem ter efeitos adversos persistentes.

Desta forma, surge como importante item a ser avaliado a sobrevida livre de tratamento. Foi publicado, recentemente, em setembro de 2019,  no Journal of Clinical Oncology, um estudo com esse objetivo, realizando análise de estudos já publicados, o Checkmate 067 e o Checkmate 069.

Foram analisados dados de 1087 pacientes dos dois estudos randomizados, dublo-cegos – Checkmate 067 (Fase 3) e 069 (Fase 2), ambos comparando combinação de nivolumab e ipilimumab versus o uso isolado, em pacientes com melanoma avançado sem tratamento prévio.

A sobrevida livre de tratamento era baseada em toda a população incluída e calculada com base em duas informações: tempo para suspensão de tratamento ou óbito e tempo para início de tratamento subsequente.

Como resultados, aos 36 meses após inicio do tratamento, 999 dos 1077 pacientes já haviam parado tratamento, com 563 óbitos e 499 já em uso de outro tratamento. A estimativa de sobrevida livre de tratamento subsequente aos 36 meses foi de 47% nos pacientes tratados com a combinação de nivolumab e ipilimumab, 37% nos tratados com nivolumab e 15% nos tratados com ipilimumab.

Em relação a efeitos adversos Grau 3 ou mais persistentes após a suspensão do tratamento, aos 36 meses, 3% dos pacientes da combinação conviviam com efeitos colaterais do tratamento, com 1% nos grupos de monoterapia. Proporcionalmente, pacientes tratados com a combinação ficaram mais tempo livres de tratamento e sem sequelas graves. Os efeitos adversos persistentes acometiam principalmente trato gastrointestinal (30%), hepático (5%), pulmonar (1%), renal (1%), cutâneo (3%) e endócrino 3%).

Essa análise conclui que, apesar de mais tóxica inicialmente, a combinação de nivolumab e ipilimumab, além dos desfechos já publicados de sobrevida global e livre de progressão,  oferece também maior sobrevida livre de tratamento subsequente.

No entanto, não é desprezível a chance de efeitos adversos duradouros após a suspensão do tratamento. Isso deve ser levado em consideração na decisão de tratamento e também em estudos futuros que possam avaliar a redução do tempo de tratamento sem perda do benefício clínico.

A sobrevida livre de tratamento subsequente, com presença ou não de toxicidade duradoura, pode ser incluída como endpoint em ensaios futuros da imunooncologia, para auxiliar na decisão do melhor tratamento a ser oferecido para cada paciente.

Author profile
Dra Carolina Zitzlaff
 
Buy now