Uso de pemigatinib em Colangiocarcinoma
04/05/2020
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04/05/2020
 

Uso de pemigatinib em Colangiocarcinoma

Por Carolina Zitzlaff

Recentemente publicado no Lancet Oncology, o artigo FIGHT-202 se tratou de um estudo Fase 2, multicêntrico, aberto, de braço único, sobre o uso de Pemigatinib em Colangiocarcinoma localmente avançado ou metastático, previamente tratado.

O tratamento padrão de 1ª linha é a combinação de gencitabina e cisplatina, no entanto, as opções de tratamento para 2ª linha ainda são limitadas. O pemigatinib é um potente inibidor seletivo oral de FGFR1, 2 e 3.  Alterações somáticos no FGFR podem gerar sinalização aberrante e levar a tumorigênese por meio de aumento de proliferação celular e angiogênese e  são mais comuns nos colangiocarcinomas intra-hepáticos, sendo identificados em 10-16%. Assim, o uso de terapia alvo com inibidores de FGFR, que também já vem sendo estudados em outras neoplasias, como Ca de bexiga, é um potencial tratamento para colangiocarcinoma.

Neste estudo, foram incluídos 146  pacientes, divididos em 3 coortes conforme o tipo de alteração encontrada: 107 com fusões ou rearranjos de FGFR2, 20 com outras alterações de FGF/FGFR,  18 pacientes sem alterações em FGF/FGFR. Os pacientes recebiam Pemigatinib 13,5mg/dia, em ciclos de 21 dias ( 14 dias recebendo medicação e 7 dias de descanso), até progressão de doença, toxicidade limitante ou desistência. O desfecho primário era a proporção de taxa de resposta objetiva nos pacientes com fusão ou rearranjo de FGFR2 e, após follow up médio de 17,8 meses, 35,5% destes pacientes obtiveram resposta objetiva (3 respostas completas e 35 respostas parciais). O tempo médio para resposta foi de 2,7 meses e a duração média nos respondendores foi de 7,5 meses.  Dentre os desfechos secundários, a sobrevida libre de progressão média foi de 6,9 meses e os dados de sobrevida global são imaturos.

O efeito adverso mais comum foi hiperfosfatemia, em 60% dos pacientes  – toxicidade comum a outras medicações da classe, e foi manejada com alterações dietéticas, quelantes de fosforo e ajuste de dose. Foi comum também a ocorrência de artralgia, estomatite, hiponatremia, dor abdominal e fadiga.

Temos, portando, dados ainda imaturos, mas que suportam potencial efeito terapêutico em pacientes previamente tratados e que tenham fusão ou rearranjo de FGFR2. Baseado nesses resultados, está em fase de recrutamento estudo Fase 3 para comparar pemigatinib versus gencitabina e cisplatina como tratamento de 1ª linha.

 
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