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Anticorpo monoclonal é aprovado para o tratamento de sarcomas de partes moles

Por: Dra. Andrezza Santos

Os sarcomas de partes moles são um grupo raro de tumores. Representam cerca de 1% dos cânceres diagnosticados em adultos. Dada a variedade de tumores é uma doença de manejo complexo. O prognóstico da doença metastática é reservado, com mediana de sobrevida 12 – 16 meses.

Durante vários anos a doxorrubicina isolada ou em associação com outras drogas foi a base do tratamento da doença metastástica. Nesse período nenhuma combinação de drogas mostrou-se superior, em termos de sobrevida global, à doxorrubicina isolada.

Em junho de 2016 foi publicado na revista Lancet um estudo aberto de fase Ib e randomizado de fase II de doxorrubicina + olaratumab no tratamento de pacientes com sarcomas de partes moles metastático ou irresecável não previamente tratados com antraciclinas.

Foram excluídos do estudo pacientes com sarcoma de Kaposi ou com metástases para sistema nervoso central não tratadas. Cerca de 60% dos pacientes inclusos  já haviam recebido uma ou mais linhas de tratamento prévias.

O olaratumab é um anticorpo monoclonal que se liga ao PDGFRα (receptor do fator de crescimento derivado das plaquetas).  A via de sinalização do PDGF e PDGFR tem importante papel na biologia mesenquimal, estando envolvida na diferenciação das células tronco mesenquimais, no crescimento e na angiogênese.

No estudo fase II  133 pacientes foram randomizados 1:1 para doxorrubicina 75mg∕m2 no D1 + olaratumab 15mg∕kg D1 e D8 a cada 21 dias versus doxorrubicina 75mg∕m2 D1 a cada 21 dias por oito ciclos.  Na ausência de progressão, após o ciclo 8, os pacientes do braço experimental seguiam o tratamento com olaratumab isolado até progressão e os tratados apenas com doxorrubicina seguiam em observação e poderiam receber olaratumab isolado no momento da progressão. Dada a cardiotoxicidade da doxorrubicina, do ciclo 5 ao 8 os pacientes recebiam dexrazoxane.

O objetivo primário do estudo de fase II foi avaliar a sobrevida livre de progressão.

A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 6,6 meses no braço experimental e 4,1 meses naqueles tratados com doxorrubicina isolada (HR -0,672, 95% IC 0,442-1,021, p-0,0615). A taxa de resposta também foi superior no braço experimental 18,2% versus 11,9% (p=0,34). Apesar de não ser o objetivo primário do estudo um importante achado foi a considerável superioridade na mediana de sobrevida global alcançada pelo grupo tratado com a combinação de drogas 26,5 meses versus 14,7 meses (HR, 0,46, 95% IC 0,3-0,71, p=0,0003).

A diferença 11,8 meses na mediana de sobrevida global alcançada pelo grupo experimental levou a rápida aprovação da droga pelo FDA em outubro de 2016. No Brasil a droga foi aprovada em janeiro de 2018 e passou a estar disponível para comercialização a partir de abril do mesmo ano.

Essa nova droga representa uma importante arma no tratamento dos sarcomas de partes moles com um ganho de sobrevida global não antes atingido nesse cenário. Na tentativa de confirmar esses dados está em andamento o estudo de fase III ANNOUNCE, com resultados finais esperados para 2020.

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Dra. Andrezza Santos
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Residência em oncologia Clinica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira IMIP, Mestrado em cuidados paliativos pelo IMIP, Preceptora das residências de oncologia clínica do IMIP, Hospital Universitário Osvaldo Cruz -HUOC e do Real Hospital Português

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