Dabrafenibe mais trametinibe em pacientes com câncer de vias biliares BRAFV600E mutados (ROAR): Um estudo aberto, fase 2, de braço único tipo basket multicêntrico

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Dabrafenibe mais trametinibe em pacientes com câncer de vias biliares BRAFV600E mutados (ROAR): Um estudo aberto, fase 2, de braço único tipo basket multicêntrico

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Recentemente a ESMO (Sociedade Européia de Oncologia Médica) publicou as suas recomendações sobre os principais cânceres metastáticos que se beneficiam em ter estudado o seu sequenciamento mutacional por NGS (Sequenciamento de Próxima Geração), rotineiramente e em perspectiva de saúde pública, são eles os tumores de pulmão, próstata, ovário e colangiocarcinoma.

Corroborando com essa decisão foi publicado na prestigiosa revista médica a Lancet Oncology o estudo ROAR coordenado por Subbiah V e colaboradores.

Trata-se de estudo aberto, fase 2, braço único e multicêntrico tipo basket que selecionou pacientes portadores de neoplasias metastáticas ou irressecáveis com mutação BRAF-V600E para receberem Dabrafenibe 150 mg duas vezes ao dia associado ao Trametinibe 2 mg uma vez ao dia até progressão tumoral ou toxicidade proibitiva, para a coorte de neoplasia de vias biliares foi exigido o uso da combinação gencitabina + cisplatina previamente.

O objetivo primário do estudo era a taxa de resposta pelo método RECIST, e secundariamente estudou-se a sobrevida livre de progressão, duração de resposta, segurança e sobrevida global.

Foram incluídos 43 pacientes, dos quais 39 (91%) tinham o diagnóstico de colangiocarcinoma intra-hepático, a maioria era metastático e com performance clínica com ECOG zero ou um, 93 e 97%, respectivamente.

Até o momento o estudo tem 10 meses de seguimento mediano e demonstra taxa de resposta de 51% pelo investigador e de 47% por revisão independente, não houve resposta completa e o tempo de duração de resposta obteve uma mediana de 9 meses (IC 95% 5-10 meses) e sobrevida global de 14 meses (IC 95% 10-33 meses).

A combinação foi bem tolerada e sem novidades em relação ao perfil de toxicidade previamente conhecido.

Esse estudo vem se juntar a outros estudos que demonstram benefício em terapia alvo no tratamento do colangiocarcinoma em conformidade as orientações da ESMO, vale salientar que se trata de estudo fase II e devemos aguardar estudos futuros para podermos adotar essa estratégia difusamente na prática clínica.

Author profile
Dr. Heberton Medeiros - Oncologia
Dr Heberton Medeiros
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN.
Residência em Clínica Médica: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

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