PALOMA- 2 : dados de sobrevida global após follow- up de 90 meses
07/06/2022

Recém apresentado na ASCO 2022 e publicado na New England Journal of Medicine, o estudo DESTINY-04 procurou avaliar o uso de Trastuzumab deruxtecan em pacientes com Cancer de Mama Avançado HER2-Low.  

Cerca de 60% das pacientes com Cancer de mama HER2 negativo expressam baixos níveis de HER2, ou seja, com imunohistoquimica 1+ ou 2+ com FISH negativo, se tratando de uma população bastante heterogênea, com pacientes com receptores hormonais positivos ou negativos e com diferentes sensibilidades aos tratamentos sistêmicos.  

O trastuzumab-deruxtecan é um anticorpo-droga conjugado, com anticorpo monoclonal anti-HER2 associado a inibidor de topoisomerase 1, atualmente já aprovado para pacientes com CA mama metastático HER2 positivo. Estudos fase 1 e 2 já vinham mostrando atividade promissora da medicação também no cenário HER2-low, por conseguir fornecer ação citotóxica também nas células com baixa expressão de HER2.  

O Destiny-04 foi um estudo fase 3, randomizado, aberto, que envolveu pacientes com Cancer de mama irressecável ou metastático HER2 low. Eram randomizados numa proporção 2:1 para o tratamento experimental com Trastuzumab -deruxtecan 5.4mg/kg a cada 3 semanas x a escolha do médico assistente, que poderia ser capecitabina, eribulina, gencitabina, paclitaxel ou nab-paclitaxel. Precisavam ter sido expostas a pelo menos 1 linha de quimioterapia na doença metastática ou terem recorrido após menos de 6 meses da quimioterapia adjuvante e, em pacientes com receptor hormonal positivo, precisavam ter pelo menos uma linha prévia de hormonioterapia. Pacientes com metástases cerebrais poderiam ser incluídas se estivessem tratadas e estáveis e eram excluídas pacientes com doença pulmonar intersticial. Eram randomizadas de acordo com o nível de expressão de HER2, status hormonal e quantidade de linhas de tratamento prévias.  

O desfecho primário era sobrevida livre de progressão em pacientes RH+ e os secundários SLP em todos os pacientes, além de avaliação da sobrevida global em pacientes RH+ e em todas as pacientes. Foram randomizados um total de 373 pacientes no grupo da terapia experimental e 184 para terapia padrão, com 88.7% e 88.6% em cada grupo de pacientes com tumores hormônio positivo. Dentre as terapias padrão, 51.1% receberam eribulina, 20.1% capecitabina, 10.3% nabpaclitaxel e 8.2% paclitaxel e as pacientes tinham recebido em média 3 linhas de tratamento para doença metastática previamente.

O desfecho primário de sobrevida livre de progressão na coorte RH+ foi atingido, com 10.1 meses no grupo trastuzumab-deruxtecan x 5.4 meses no tratamento padrão, com HR 0.51 (CI 0.4 a 0.64 e p < 0,001).  Quando avaliadas todas as pacientes, a SLP foi de 9.9 meses x 5.1 meses. A sobrevida global no grupo hormônio positivo e em todas as pacientes, desfechos secundários, também foram atingidos, com 23.9 meses x 17.5 meses na 1ª coorte e de 23.4 meses x 16.8 meses em todas as pacientes, ambos com significância estatística.

Houve ainda ganho na taxa de resposta objetiva: 52.6% x 17.3% em todos os pacientes, e 50 x 16.7% na coorte hormônio positivo. A incidência de efeitos adversos grau 3 ou maiores foi de 52.6% com trastuzumab deruxtecan e 67.4% no grupo controle, com taxa de descontinuação 16.2% x 8.1%.  Com relação a pneumonite, uma das principais preocupações associadas ao uso desta nova medicação, foi relatada em 45 pacientes (12.1%) dos pacientes, sendo 5 (1.3%) grau 3 e 3 (0.8%) com evento grau 5, e o tempo médio para surgimento da pneumopatia foi de 129 dias ( 26 – 710 pacientes).

Trata-se de estudo que traz importante impacto na prática clínica, com nova terapêutica disponível para uma grande parcela de pacientes com Câncer de mama, os HER2-low.

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