ELEVATE-RR: Estudo head-to-head Acalabrutinibe versus Ibrutinibe no tratamento da Leucemia Linfocítica Crônica recidivada /refratária.

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ELEVATE-RR: Estudo head-to-head Acalabrutinibe versus Ibrutinibe no tratamento da Leucemia Linfocítica Crônica recidivada /refratária.

Por Dra Ana Cristina Lopes

O Ibrutinibe foi o primeiro inibidor de BTK aprovado para o tratamento de adultos com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC). Os efeitos colaterais associados ao seu uso, principalmente os cardiovasculares, podem estar relacionados a sua ligação não seletiva a BTK. O Acalabrutinibe é um inibidor de BTK de segunda geração mais seletivo que potencialmente pode melhorar o perfil de tolerabilidade ao tratamento.

No início do mês de junho, na ASCO 2021, foram apresentados os primeiros resultados do estudo head to head de Acalabrutinibe versusIbrutinibe em pacientes com Leucemia Linfocítica Crônica recidivada ou refratária. Trata-se de estudo fase III, multicêntrico, randomizado, aberto, cujo desfecho primário era de não inferioridade.

Os desfechos secundários analisados foram: Incidência de Fibrilação/Flutter atrial (FA) de qualquer grau, incidência de infecção Grau 3 ou mais, Incidência de transformação Richter e Sobrevida Global. Os mesmos foram avaliados em ordem hierárquica.

No estudo foram incluídos: pacientes com LLC previamente tratada e que apresentavam novamente critérios de tratamento baseado no iwCLL 2008, com del (17p) ou del (11q), e ECOG PS menor ou igual a 2. Foram excluídos pacientes com doença cardiovascular significativa,
tratamento concomitante com antagonistas de vitamina K, tratamento anterior com inibidores de BTK, da BCR ou de BCL-2.

Foram incluídos 533 pacientes, sendo 268 no grupo do Acalabrutinibe (Dose: 100mg 2x ao dia) e 265 no grupo do Ibrutinibe (Dose 420mg 1x/ao dia).

Com relação ao desfecho primário, no seguimento mediano de 40,9 meses, o Acalabrutinibe foi não inferior ao Ibrutinibe, resultado que se manteve quando analisado diferentes subgrupos.

Quanto aos desfechos secundários, a incidência de FA de qualquer grau foi significativamente menor com o Acalabrutinibe. A incidência de infecção grau 3 ou mais e transformação de Richter foi comparável entre os grupos e a Sobrevida Global não foi alcançada em nenhum dos braços.

Entre os efeitos adversos mais comuns (>20% dos pacientes), o Acalabrutinibe foi associado a maior incidência de cefaleia e tosse; e menor incidência de diarreia, artralgia, hipertensão arterial e Fibrilação atrial. Ao analisarmos apenas os eventos adversos grau 3 ou mais, o grupo
de Acalabrutinibe apresentou mais casos de cefaleia e fadiga e menor associação com Diarreia e Hipertensão.

Entre os efeitos adversos de Interesse Clínico, o Acalabrutinibe foi associado a uma menor incidência de eventos hemorrágicos, hipertensão e doença pulmonar intersticial/pneumonite. Quando considerados os eventos grau 3, essa vantagem só se manteve com relação a
hipertensão.

O grupo de Acalabrutinibe apresentou menor taxa de descontinuação do tratamento (14,7% X 21,3%).

Os resultados encontrados demonstram melhor perfil de tolerância do Acalabrutinibe com eficácia mantida, e corroboram a sua inclusão no arsenal de drogas para o tratamento da LLC, a Leucemia mais prevalente do adulto.

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Dra Ana Cristina Lopes
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