Caquexia e câncer
22/07/2020
Estudo randomizado fase II do uso do Lutécio-PSMA versus cabazitaxel em pacientes com câncer de próstata resistentes à castração após progressão com docetaxel (THERAP).
04/08/2020
 

Estudo ECOG-ACRIN: Comparação entre cirurgia e tratamento sistêmico em mulheres com neoplasia de mama metastático de novo

Por Ana Caroline Patu

Foi apresentado em sessão plenária no Congresso Virtual Americano de Oncologia 2020, o estudo ECOG-ACRIN, que randomizou mulheres com neoplasia de mama metastática de novo para tratamento sistêmico ou cirurgia.

Neste estudo randomizado de fase III, 390 mulheres foram tratadas com terapia sistêmica inicial, aquelas que não progrediram durante 4 a 8 meses de terapia sistêmica, foram randomizadas para receber ou não tratamento lorregional (TRL) (mastectomia ou cirurgia conservadora).

O endpoint primário foi sobrevida global e os endpoints secundários foram controle locorregional da doença e qualidade de vida. As pacientes foram estratificadas de acordo com o status de receptor hormonal, plano de tratamento e extensão de doença à distância.
Foram elegíveis 256 pacientes, 131 foram randomizadas para tratamento sistêmico (TS) isolado e 125 foi associado tratamento locorregional. Com seguimento de 59 meses, não houve diferença na sobrevida global em 3 anos (68,4% no tratamento com TS + TRL versus 67,9% no braço TS isolada) ou na sobrevida livre de progressão (p =0,40). A recorrência em três anos foi maior no grupo de terapia sistêmica isolada
(25,6% vs 10,2%). Em relação a qualidade de vida os resultados foram piores no braço da TS associado a TRL aos 18 meses.

Quando classificado por subtipo tumoral, também não houve diferença. Mas o subtipo triplo negativo que recebeu tratamento lorregional apresentou evolução pior, com uma ressalva que somente vinte pacientes eram triplo negativos.

Os autores concluíram que a terapia local precoce não aumenta a sobrevida global em pacientes com neoplasia de mama metastática de
novo. Mesmo o estudo ECOG-ACRIN sendo negativo, acredito que as terapias locorregionais mantém seu papel em situações de controle de
sintomas, talvez com progressão exclusiva em mama e linfonodos. E que na doença oligometastática de novo, as terapias ablativas ainda estão em investigação.

Author profile
Dra Ana Caroline Patu
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em medicina na Universidade Federal de Pernambuco.

Residência médica em oncologia clínica no Hospital Sírio Libanês, São Paulo-SP.

Oncologista do Real Instituto de Oncologia e do Hospital das Clínicas da UFPE.

Preceptora de Residência médica de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

 
Buy now