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Tebentafusp no tratamento de primeira linha de pacientes com Melanoma Uveal Metastático –

Por Dra Carolina Ferraz

O melanoma uveal é o câncer intraocular mais comum da população adulta. Corresponde a cerca de 3 a 5% de todos os melanomas e apresenta características distintas dos melanomas cutâneos, com diferentes alterações moleculares, padrões metastáticos e microambientes tumorais.  Estas diferenças contribuem para um pior prognóstico e uma resposta desfavorável ao tratamento sistêmico, inclusive com imunoterapia. 50% dos pacientes com melanoma uveal apresentarão metástases durante o curso da doença, envolvendo predominantemente o fígado. A sobrevida global mediana no estádio IV é de aproximadamente 1 ano, tornando necessário tratamentos mais eficazes.

Tebentafusp é uma nova forma de imunoterapia baseada na mobilização imune de receptores monoclonais de células T contra o câncer, compreendendo um receptor solúvel de células T que está fundido a um fragmento variável anti-CD3 de cadeia única.

O domínio do receptor de células T do tebentafusp tem como alvo células apresentadoras de HLA-A*02:01 acopladas ao peptídeo glicoproteína 100, fortemente encontrado nas células de melanoma. Uma vez que ligado ao complexo peptídeo-HLA específico das células-alvo, são recrutadas e ativadas células T policlonais, através do CD3, para liberar citocinas e mediadores citolíticos contra o câncer.

Tebentafusp em monoterapia já havia demonstrado sobrevida global promissora  em um estudo de fase 2, e de braço único, envolvendo pacientes com melanoma uveal metastático previamente tratados.

Em 23 de setembro de 2021, foi publicado no New England Journal of Medicine o IMCgp100-202 (NCT03070392), um estudo de fase III, multicêntrico, aberto e randomizado, que comparou tebentafusp versus a escolha do investigador (grupo controle) em pacientes com melanoma uveal metastático.

Os pacientes com melanoma uveal metastático positivos para HLA-A*02:01 e previamente não tratados foram recrutados aleatoriamente numa proporção 2:1 para receber tebentafusp ou a monoterapia de escolha do investigador como pembrolizumabe, ipilimumabe ou dacarbazina. Os pacientes foram estratificados de acordo com o nível de lactato desidrogenase (DHL) e o desfecho primário foi a sobrevida global (SG).

Um total de 378 pacientes foram aleatoriamente distribuídos para o grupo tebentafusp (252 pacientes) ou para o grupo controle (126 pacientes). Na população com intenção de tratar, o SG em 1 ano foi de 73% versus 59% (HR 0,51; IC 95%: 0,37-0,71; p < 0,001), respectivamente.

A sobrevida livre de progressão também foi significativamente maior no grupo tebentafusp em relação ao grupo controle, ou seja, 31% versus 19% em 6 meses (HR 0,73; IC 95%: 0,58- ,94; p = 0,01).

Em relação ao perfil de toxicidade, os eventos adversos mais comuns no grupo tebentafusp foram eventos mediados por citocinas (devido à ativação de células T) e eventos cutâneos devido aos melanócitos positivos para glicoproteína 100, incluindo erupção cutânea (83%), pirexia (76%) e prurido (69%). Esses eventos adversos diminuíram em incidência e gravidade após as primeiras 3 ou 4 doses, revando à interrupção do tratamento em apenas 2% dos casos. Nenhuma morte relacionada à terapia foi relatada.

O estudo conclui que o tratamento com tebentafusp resultou em uma SG significativamente maior em relação à escolha do investigador, envolvendo monoterapia com pembrolizumabe, ipilimumabe ou dacarbazina, em pacientes com melanoma uveal metastático na primeira linha de tratamento.

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Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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