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Impacto de fatores sociodemográficos e acesso a plano de saúde privado no diagnóstico e nas características clínico-patológicas do câncer de mama no Brasil: resultados do estudo AMAZONA III (GBECAM 0115).

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Estudo publicado dia 29 de julho de 2020 na revista Breast Cancer Research and Treatment pelo grupo brasileiro de estudos em câncer de mama, com coorte prospectiva com 2950 mulheres diagnosticadas com câncer de mama em 23 centros no Brasil entre 2016 e 2018.

Tal estudo epidemiologicamente é muito importante, visto que os registros de câncer no Brasil são bastante deficitários e temos poucas informações sociodemográficas dos pacientes nos bancos de dados nacionais.

A idade mediana ao diagnóstico foi de 53 anos (similar para pacientes do sistema público e privado de saúde). Entre as mulheres do sistema público, 42% tinham 3 ou mais filhos (comparado com 15% das mulheres no sistema privado). A maioria (67%) das pacientes do sistema privado tinham graduação universitária (sendo essa taxa de apenas 9,7% nas pacientes do sistema público). Oitenta e oito por cento das mulheres do sistema privado eram brancas, sendo esta taxa de 41% nas mulheres do sistema público.

As pacientes do sistema privado foram mais comumente diagnosticadas como estadio I quando comparadas com as pacientes do sistema público de saúde (40,6% vs 18,5% respectivamente, p<0,0001). As pacientes do sistema público de saúde foram mais comumente diagnosticadas por sintomas (76,9% vs 47%) e com estadio III (33,5% vs 14,7%) quando comparadas com as pacientes com plano de saúde privado.

O subtipo de câncer de mama luminal A foi mais frequente nas pacientes do sistema privado (53,7% vs 44,2%, p < 0,0001) e o subtipo luminal B e Her 2 foram mais frequentes nas pacientes do sistema público (19,2% vs 14,2% e 8,8% vs 5,1%, p 0,0009).

Este estudo é o maior já publicado em pacientes com câncer de mama no Brasil. Esta iniquidade é extremamente preocupante, visto que 75% da população brasileira depende do sistema público de saúde e pelo fato de que o estadiamento ao diagnóstico é um fator prognóstico muito importante em câncer de mama.

Author profile
Dra. Carolina Matias
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal de Pernambuco.
Residência em Clínica Médica: Hospital das Clínicas da UFPE.
Residência em Oncologia Clínica: AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Tutora de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde.
Preceptora da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português e do IMIP e da residência de clínica médica do Hospital Barão de Lucena

 
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