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Estudo randomizado fase II do uso do Lutécio-PSMA versus cabazitaxel em pacientes com câncer de próstata resistentes à castração após progressão com docetaxel (THERAP).

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São opções aprovadas no Brasil no tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração: docetaxel, abiraterona, enzalutamida, cabazitaxel e radio-223. O Lutécio radioativo marcado com PSMA (Lu-PSMA-617) entrega radiação beta em locais captantes de PSMA e já havia mostrado resultados encorajadores em estudo fase II dde braço único, com redução do PSA ≥ 50% em 64% dos pacientes neste cenário e com baixa toxicidade.

O THERAP é um estudo australiano apresentado pelo Dr. Michael Hofman no congresso virtual da Sociedade Americana  de Oncologia Clínica em maio/2020 (ainda aguardando publicação).

É o primeiro estudo randomizado comparando o uso do Lu-PSMA-617 com uma terapia ativa (cabazitaxel) em pacientes com câncer de próstata resistente à castração após progressão à quimioterapia (docetaxel). Os pacientes elegíveis deveriam ter pelo menos um sítio de captação do PSMA com SUV > 20 e foram excluídos pacientes com alguma área captante de FDG e não captante de PSMA.

Foram randomizados 200 pacientes (1:1) para Lu-PSMA-617 8,5 GBq IV a cada 6 semanas por até 6 ciclos ou cabazitaxel 20mg/m2 IV a cada 3 semanas por até 10 ciclos. O endpoint primário do estudo foi redução do PSA ≥ 50% do basal e os endpoints secundários foram sobrevida livre de progressão do PSA e eventos adversos. Todos os pacientes haviam recebido docetaxel previamente e 90% dos pacientes em cada grupo também já  havia recebido um novo antiandrogênico (abiraterona ou enzalutamida).

O Lu-PSMA-617 conseguiu resposta do PSA ≥ 50% em 66% dos pacientes, bem superior ao alcançado pelo cabazitaxel, 37%, sendo encontrada uma diferença estatisticamente significativa no endpoint primário do estudo.

A sobrevida livre de progressão do PSA também foi superior no braço do LU-PSMA-617 (HR 0,69, 95% IC 0,50 a 0,95, p = 0,02).

Os eventos adversos graus 3-4 foram mais comuns com a quimioterapia (54%, mais comuns neutropenia, anemia e diarreia) quando comparados com o uso do Lu-PSMA-617 (35%, sendo o mais comum trombocitopenia e anemia).

Aguardamos publicação deste importante estudo, bem como os resultados de sobrevida livre de progressão radiológica e qualidade de vida e consideramos uma terapia promissora no cenário resistente à castração em pacientes com alta expressão de PSMA. Estudo fase III (estudo VISION) também em andamento.

Author profile
Dra. Carolina Matias
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal de Pernambuco.
Residência em Clínica Médica: Hospital das Clínicas da UFPE.
Residência em Oncologia Clínica: AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Tutora de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde.
Preceptora da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português e do IMIP e da residência de clínica médica do Hospital Barão de Lucena

 
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