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Uso de 177Lu-PSMA-617 no tratamento dos pacientes com câncer de próstata metastático resistente a castração – VISION TRIAL

Comentado por Dra. Samara Aquino

O Câncer de Próstata é a segunda neoplasia mais incidente do mundo. Estima-se que 12,1% dos homens terão câncer de próstata ao longo da vida, com incidência aumentando com a idade. No Brasil é a neoplasia mais frequente com 65.840 novos casos em 2020, sendo a segunda causa de morte por câncer em homens. Dados sugerem que 10-20% dos pacientes com câncer de próstata metastático desenvolverão doença resistente a castração com 5 anos de seguimento. A mediana de sobrevida nestes casos é de 14 meses variando de 9 – 30 meses).

O PSMA (antígeno de membrana prostático específico) é altamente expresso pelas células do câncer de próstata. O 177Lutécio-PSMA-617 é um radioligante de partículas beta que entrega radiação seletivamente as células que expressam o PSMA. Estudos anteriores, como o TheraP, já haviam mostrado a eficácia desse tratamento.

O estudo VISION, apresentado na plenária do congresso anual da ASCO 2021 (American Society of Clinical Oncology) e publicado na NEJM (New England Journal of Medicine) em 23 de junho, é um estudo fase III, aberto, randomizado que incluiu pacientes com câncer de próstata metastático resistente a castração, expostos a pelo menos um anti-androgênico de nova geração e uma a duas linhas de taxano. Foi realizado um screening com PET/CT 68Ga-PSMA-11, sendo aceitos no estudo apenas aqueles que tivessem pelo menos uma lesão metastática PSMA-positiva e nenhuma lesão metastática PSMA-negativa (de acordo com critérios estabelecidos no estudo), ECOG 0-2, expectativa de vida de pelo menos 6 meses e funções orgânicas e de medula óssea adequadas.

Todos os pacientes selecionados recebiam tratamento-padrão, onde eram excluídos terapias como quimioterapia citotóxica, radioisótopos sistêmicos (rádio 223), imunoterapia ou drogas que eram consideradas experimentais quando o trabalho foi realizado (ex. olaparibe), sendo permitidos tratamentos hormonais (como abiraterona / enzalutamida), bisfosfonados, radioterapia, denosumabe ou glicocorticpoides. Os pacientes eram randomizados, em 2:1, para tratamento com 177Lutécio-PSMA-617, 7.4 GBq (200 mCi) por 4 a 6 ciclos ou o tratamento-padrão exclusivo.

Os objetivos primários da análise foram sobrevida livre de progressão radiográfica e sobrevida global (SG), já os objetivos secundários incluíram taxa de resposta global, taxa de controle de doença, tempo para o primeiro evento ósseo sintomático, segurança, tolerância, biomarcadores e qualidade de vida.

Foi demonstrado um benefício de sobrevida global no braço experimental de 15,3 meses versus 11,3 meses no braço controle, HR 0,62 (p < 0,001); benefício em sobrevida livre de progressão radiológica 8,7 versus 3,4 meses, HR 0,40 (p<0,001). Houve melhor resposta objetiva com o radioligante de 41,8% versus 3,1% com tratamento padrão e 9,2% de resposta completa (RC) no braço 177Lutécio-PSMA-617 comparado com nenhuma RC no grupo controle. Além de melhor resposta de PSA, com redução de pelo menos 50% em 46 versus 7,1% e de pelo menos 80% em 33 versus 2%.

Quanto a análise de segurança os eventos adversos relacionados ao tratamento foram bem superiores no braço experimental, apresentando 85,3% de eventos de qualquer grau e apenas 28,8% no grupo de tratamento padrão. Os eventos hematológicos foram os mais comuns com 47,4% dos casos, seguido de xerostomia e náuseas/vômitos com 39,3%, além de alterações renais com 8,7%. A taxa de eventos adversos graves (grau 3 ou maior) foi de 28,4% com o radioligante, sendo 0,5% de eventos grau 5 (n = 5).

Os autores concluem que o estudo é positivo com aumento significativo de sobrevida global, efeitos adversos principalmente grau 3 ou inferior, estendendo o tempo para eventos ósseos sintomáticos e prolongando o tempo para piora na qualidade de vida. No momento aguardamos a autorização das agências regulatórias para início do seu uso na rotina.

  1. GLOBOCAN 2020. Source: Globocan 2020. 2018;876:6–7. Available from: https://gco.iarc.fr/today/online-analysis-map 2. Nacional Canter Institute.
  2. Surveillance, Epidemiology, and End Results Program. Available from https://seer.cancer.gov/statfacts/html/prost.html
  3. Estimativa 2018-Incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. 2017. 130 p.
  4. Mansinho A, Macedo D, Fernandes I, Costa L. Castration-Resistant Prostate Cancer: Mechanisms, Targets and Treatment. Adv Exp Med Biol, 2018; 1096: 117-133.
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