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Utilidade do PET/CT na avaliação de resposta em pacientes com melanoma metastático em uso de imunoterapia de primeira linha

Por Dra Cecília Arraes

Em outubro de 2021, o grupo australiano de estudos em Melanoma, publicou os resultados de uma análise do papel do PET/CT na avaliação de resposta de pacientes com Melanoma metastático. O estudo foi importante como gerador de hipótese sobre a superioridade do PET/CT em relação as tomografias e a correlação prognóstica dos achados do PET/CT após 01 ano de tratamento. O racional para uso deste exame no acompanhamento de pacientes com Melanoma metastático em uso de Imunoterapia é um valor adicional pela avaliação metabólica somando valor em relação à tomografia computadorizada (TC).

O trabalho se baseou na análise de reposta após um ano de tratamento com uso de PET/CT e TC, avaliados pelos critérios do EORTC para o PET e RECIST para TC. Os dados de sobrevida livre de progressão e sobrevida global foram avaliados a partir dessa primeira avaliação.

O grupo estudado foi de pacientes em uso de Imunoterapia (anti-PDL1 com ou sem anti CTLA-4). Nesse trabalho, 75% dos pacientes apresentaram resposta metabólica completa, correlacionado clinicamente, incluindo 66% dos pacientes com resposta parcial na tomografia. Esses pacientes apresentaram excelente prognóstico em longo prazo, raramente com progressão após 2 anos. Após 21 meses, 77% desses pacientes interromperam o tratamento, incluindo 26% após 12 meses.

Com mediana de seguimento de 61 meses, 94% dos pacientes estavam vivos e todos, exceto um, interromperam tratamento após 23 meses. Do grupo, 19% (18 pacientes) progrediram, em 10 (19%) durante o tratamento e em 12 (63%) com oligometástases. Destes, 8 (67%) receberam tratamento local. A SLP em 05 anos foi de 93% para os que tiveram resposta completa pelo RECIST e 76% dos pacientes com resposta parcial ou doença estável. Nos que apresentaram resposta metabólica completa, a sobrevida livre de progressão foi de 90% versus 54%. Em pacientes com resposta parcial pelo RECIST, a taxa de sobrevida livre de progressão foi superior nos paciente com resposta metabólica completa (88% x 59%).

No total estudado, 35 paciente (34%) descontinuaram o tratamento após 12 meses – 14 no grupo de resposta completa RECIST e 31 no grupo de resposta metabólica completa, sem impacto em sobrevida com relação aos que continuaram o tratamento (84% x 78%). A principal causa foi toxicidade.

Apesar de progressão dos pacientes, a SG em 5 anos foi excelente e semelhante naqueles com resposta completa e resposta parcial pelo RECIST (100% x 91%, respectivamente) e resposta metabólica completa ou não pelo PET/CT (96% x 87%, respectivamente).

A conclusão dos autores é de que na avaliação de 01 ano após tratamento, resposta sustentada foi observada na maioria dos pacientes, particularmente aqueles com resposta metabólica completa. O PET foi capaz de predizer melhor progressão em relação à TC. Os pacientes que progrediram, na maioria foram tratados de forma local com excelente prognóstico. O PET foi capaz de avaliar melhor a doença residual vista na TC.

Esse trabalho nos anima pelo excelente prognóstico neste cenário clínico. Aguardamos uma avaliação maior do papel do PET/CT, principalmente para avaliação de suspensão de tratamento.

REFERÊNCIA:

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Dra Cecília Arraes
Médica Oncologista
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