Novo programa de rastreamento oncológico do Real Hospital Português
16/11/2020
OPRA TRIAL: Terapia neoadjuvante total e preservação de órgão em câncer de reto
23/11/2020

Imunoterapia no Melanoma uveal metastático

Por   

O melanoma uveal é o tumor maligno intraocular primário mais comum em adultos e representa cerca de 5% dos diagnósticos de melanoma. Apesar de existirem tratamentos locais efetivos, 40 a 50% podem cursar com doença metastática, um cenário cuja sobrevida média é de 6 a 12 meses. Apesar dos importantes avanços de tratamento no melanoma cutâneo metastático com o advento da imunoterapia, na doença uveal ainda necessitamos de mais estudos.

Estudos com inibidores de checkpoint isolados tem mostrado taxas de resposta baixas, e, baseado nos resultados da combinação de anti-PD1 e anti-CTLA4 no melanoma cutâneo, foi aventada a hipótese de que esta combinação possa ser benéfica também no melanoma uveal.
Foi desenvolvido estudo Fase 2, unicêntrico, aberto, com objetivo de avaliar como desfecho primário a taxa de resposta, com sobrevida livre de progressão, sobrevida global e sobrevida global em 1 ano como desfechos secundários, com resultados publicados recentemente no Journal of Clinical Oncology.

O tratamento era feito com uma fase de indução com Nivolumab 1mg/kg + Ipilimumab 3mg/kg a cada 3 semanas, por 4 doses, seguido de fase de manutenção com Nivolumab e era mantido até 104 semanas, progressão de doença, toxicidade, óbito ou retirada de consentimento. Foram incluídos pacientes com melanoma uveal metastático (exceto doença óssea isolada), com ECOG 0 ou 1 e com qualquer número de tratamentos prévios – inclusive imunoterapia.

Entre Julho/2015 e Março/2018, foram incluídos 35 pacientes, com idade média de 62 anos, com follow up médio de 13 meses (1,3- 43,5). Dos 33 pacientes com doença avaliável, a taxa de resposta objetiva foi de 18%, com 33% dos pacientes obtendo doença estável. Dentre os respondedores, não havia sido usada terapia prévia no cenário metastático, com melhores resultados em pacientes com doença extra- hepática apenas. A duração média para resposta foi de 2,7 meses e o tempo médio de duração de resposta de 12,1 meses. A sobrevida global média foi de 19,1 meses e de 56% em 1 ano.

O perfil de efeitos adversos foi semelhante ao descrito na literatura, com 91% apresentando algum grau de toxicidade, sendo 40% de graus 3 e 4. Os efeitos mais comuns foram diarreia, elevação de transaminases, prurido e hipotireoidismo, com 29% de descontinuação devido a toxicidade. A Sobrevida livre de progressão entre os pacientes que foram excluídos por toxicidade não foi diferente dos pacientes que conseguiram manter o tratamento.

Em suma, esse estudo mostra que a combinação de nivolumab e ipilimumab mostra uma taxa de resposta de 18% no melanoma uveal metastático, além de 18% com doença estável por pelo menos 6 meses, mostrando um significativo benefício clínico, diante de uma doença rara e com prognóstico historicamente ruim.

Apesar da ressalva de se tratar de estudo fase 2 e com poucos pacientes, são dados encorajadores quando comparados a estudos prévio com imunoterapia isolada ou terapia alvo e em consonância com dados de estudo da combinação em 1a linha

(Spanish GEM-1402), sendo necessários mais estudos para definir o perfil de paciente que mais possa se beneficiar desta abordagem.
DOI https://doi. org/10.1200/JCO.20. 00605

Buy now