Keynote 048: Imunoterapia aumenta sobrevida em paciente com câncer de cabeça e pescoço
15/12/2018
Assunto do dia – 21/1/2018 – Dezembro Laranja
09/01/2019
 
 

Pembrolizumab as Neoadjuvant Therapy Before Radical Cystectomy in Patients With Muscle-Invasive Urothelial Bladder Carcinoma (PURE-01): An Open-Label, Single-Arm, Phase II Study.

Por Dra. Andrezza Santos

O estudo PURE-01 foi um estudo de fase II apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia (ASCO) que ocorreu em Chicago entre os dias 02 a 04  de Junho de 2018 e publicado na edição de 01 de Dezembro de 2018 da importante revista americana JCO (Journal Of Clinical Oncology).

O tratamento imunoterápico com os anti-PD1 e anti-PDL1 já é aprovado para o tratamento do câncer de bexiga metastático tanto em primeira linha, para pacientes com contra indicação a cisplatina e alta expressão de PDL-1 quanto em segunda linha de tratamento.

No entanto, para a doença localizada músculo invasiva, até o presente momento, o tratamento padrão é quimioterapia neoadjuvante baseada em cisplatina seguida por cistectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral.

Apesar da efetividade da quimioterapia neoadjuvante cerca de 50% dos pacientes ainda apresentam tumores residuais ≥T2 nos espécimes cirúrgicos e grande parte dos pacientes acometidos pela referida doença não conseguem realizar o tratamento ideal por fatores limitantes como idade avançada e comorbidades.

No presente estudo 50 pacientes com câncer de bexiga músculo invasivo de histologia urotelial e com estágio clínico T2-T3N0M0, após ressecção transuretral da lesão vesical (RTU), foram submetidos a tratamento neoadjuvante com o anti-PD1 pembrolizumab 200mg a cada 3 semanas por 03 ciclos.

O objetivo primário do estudo foi avaliar taxa de resposta patológica completa.

Os pacientes foram selecionados independente da elegibilidade ao tratamento com cisplatina (92% eram considerados elegíveis)

Após o término da terapia neoadjuvante os pacientes eram reavaliados com exames de imagem e aqueles que não haviam falhado ao tratamento eram encaminhados à cistectomia radical.

A cirurgia ocorreu entre uma e três semanas após a última dose da imunoterapia.

Todos os pacientes tratados foram operados.

Apenas 05 pacientes falharam à imunoterapia e receberam 03 ciclos de quimioterapia (MVAC – metotrexate, vimblastina, doxorrubicina e cisplatina) neoadjuvante.

Entre os pacientes submetidos a imunoterapia neoadjuvante a taxa de resposta patológica completa (RPC) foi 42%.

Quando avaliados retrospectivamente, aqueles com expressão de PDL-1 (CPS) ≥10% tiveram 54% de RPC enquanto que aqueles com expressão de PDL-1 (CPS) <10% apresentaram RPC apenas em 13%  dos casos.

Foi visto também uma associação linear entre carga mutacional tumoral e RPC, com ponto de corte de 15mut∕MB.

O presente estudo ainda não representa uma mudança de conduta, por ser um estudo de fase II e ainda sem dados maduros de sobrevida.  Porém o tratamento com pembrolizumab neoadjuvante representa uma alternativa bastante atrativa para pacientes inelegíveis a cisplatina com elevada expressão de PDL-1 e∕ou carga mutacional tumoral elevada. São esperados resultados de estudos de fase III para melhor posicionamento da droga nesse cenário.

Author profile
Dra. Andrezza Santos
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Residência em oncologia Clinica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira IMIP, Mestrado em cuidados paliativos pelo IMIP, Preceptora das residências de oncologia clínica do IMIP, Hospital Universitário Osvaldo Cruz -HUOC e do Real Hospital Português

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