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Infigratinibe para tratamento de Colangiocarcinoma localmente avançado ou metastático

Por Dra Carolina Ferraz

As opções terapêuticas disponíveis no tratamento do colangiocarcinoma metastático ou localmente avançado são limitadas e existe a necessidade urgente na prática oncológica da incorporação de novas drogas que proporcionem maior controle de doença e melhores desfechos clínicos com terapias direcionadas menos tóxicas do que o atual padrão de quimioterapia citotóxica.

Infigratinibe é um inibidor de tirosina quinase seletivo do fator de crescimento de fibroblastos (FGRFR 1-3) cuja eficácia foi avaliada no estudo CBGJ398X2204.  Trata-se de um trial multicêntrico, aberto, de braço único, que recrutou 108 pacientes com diagnóstico de colangiocarcinoma metastático ou localmente avançado previamente tratados e que apresentassem fusão ou outros rearranjos do FGFR2 determinados por testes genômicos com plataformas previamente aprovadas. Neste estudo 99% dos pacientes tinham doença metastática, em 81% da amostra a alteração genômica presente era a fusão de FGFR2 e cerca de um terço já havia recebido 03 ou mais linhas de tratamentos prévios.

Os pacientes recebiam infigratinibe 125 mg via oral uma vez ao dia por 21 dias consecutivos seguidos por sete dias de pausa, com ciclos de 28 dias até progressão de doença ou toxicidade inaceitável.

Os resultados apresentados evidenciaram uma taxa de resposta objetiva de 23% (95% IC : 16,32), com relato de um caso de resposta completa e 24 respostas parciais. A mediana de duração de resposta foi 05 meses (95% IC, 3,7 – 9,3). Entre os 23 respondedores, 08 pacientes mantinham resposta após 06 ou mais meses.

Os efeitos adversos mais comumente descritos foram hiperfosfatemia, piora de função renal, estomatite, olhos secos, fadiga, alopecia, eritrodisestesia palmo plantar, artralgia, dor abdominal, pele seca e vômitos. Entre eventos adversos graves destaca-se a hiperfosfatemia e descolamento de epitélio da retina para qual alerta-se a necessidade de vigilância rigorosa e ativa.

Após esse estudo infigratinibe recebeu aprovação acelerada pelo FDA em 28 de maio de 2021 para uso em pacientes previamente tratados com doença metastática e localmente avançada com fusão ou outros rearranjos do FGFR2 detectado por teste aprovado pelo FDA.

O FDA também aprovou o FoundationOne CDx como teste padrão para selecionar pacientes com fusão ou outros rearranjos de FGFR2 que indiquem o início do tratamento com infigratinibe.

Encontra-se em andamento estudo de fase I para uso da droga em primeira linha neste mesmo cenário de colangiocarcinoma metastático ou localmente avançado com presença de fusão ou rearranjos do FGFR2.

Esta aprovação representou um marco importante para os pacientes com diagnóstico de colangiocarcinoma impulsionado pela fusão FGFR2 que progridem após a terapia de primeira linha e precisam de opções direcionadas para tratamento posterior. Com base na eficácia observada até o momento acredita-se também que o infigratinibe seja promissor para uma série de doenças induzidas pelo FGFR, incluindo outros tipos de câncer.

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Dra Carolina Ferraz
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, Residência em Clínica Médica no Hospital Getúlio Vargas (Recife-PE). Residência em Oncologia Clínica no Real Hospital Português de Beneficência (Recife-PE), Oncologista do Real Instituto de Oncologia e preceptora da residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português (Recife-PE)

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