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KEYNOTE 564: Uso de pembrolizumabe adjuvante em pacientes com câncer renal

Por Dra Samara Aquino

A incidência de câncer renal varia globalmente, tendo maiores taxas na República Tcheca e América do Norte, sendo duas vezes mais comum em homens do que em mulheres. Cerca de 82% dos pacientes são diagnosticados com doença locorregional e a cirurgia é o tratamento de escolha nestes casos. As chances de recorrência variam de acordo com fatores prognósticos como tamanho do tumor, acometimento linfonodal, performance status, grau de Fuhrman e presença de necrose, apresentando até 40% de chance de recidiva. Vários estudos avaliaram o uso de tratamento adjuvante neste cenário, principalmente com inibidores de tirosina quinase da via do VEGF, contudo apenas um estudo mostrou benefício em sobrevida livre de doença (SLD) com sunitinibe, porém sem benefício de sobrevida global e com toxidade importante.

O Keynote-564 é um estudo fase 3, duplo cego, randomizado que foi desenhado para avaliar a eficácia do pembrolizumabe adjuvante em pacientes com CCR. Foram incluídos 994 pacientes com câncer renal de células claras, considerados de risco intermediário-alto (pT2, grau 4 ou sarcomatóide, N0 M0; ou pT3) ou alto risco (pT4, qualquer grau, N0 M0; ou linfonodo positivo) submetidos a nefrectomia nas últimas 12 semanas,com margens livres, sem história de tratamento sistêmico prévio, ECOG 0 ou 1, além disso, foram também incluídos pacientes com doença oligometastática ressecada que tivessem sido submetidos a nefrectomia a menos de um ano.

Os pacientes foram randomizados entre tratamento com pembrolizumabe,  200mg a cada 3 semanas, por 1 ano ou placebo. A divisão de pacientes entre os grupos foi bem balanceada, havendo 6% de pacientes com doença M1 ressecada.  O desfecho primário foi SLD, sendo sobrevida global (SG) um desfecho secundário.

Em análise interina, apresentada na plenária da ASCO 2021, foi evidenciado benefício de SLD do braço imunoterapia comparado ao placebo, HR 0,68 e p = 0,0010, com 85,7% dos pacientes vivos em 1 ano versus 75,2%, respectivamente. Esse benefício foi mantido mesmo após término do tratamento, com 77,3% dos pacientes sem recorrência em dois anos com o anti-PD1, comparado a 68,1% no braço controle. Todos os subgrupos se beneficiaram da terapia, independente de expressão de PD-L1, sexo ou estadiamento. Contudo, existiu uma tendência de maior benefício nos pacientes metastáticos sem evidência de doença. Quanto a SG os dados ainda são considerados imaturos.

Em relação a segurança os eventos adversos foram semelhantes a outros estudos com imunoterapia no cenário metastático, tendo uma incidência de eventos grau 3 de quase 19% no grupo pembro versus 1,2% no grupo placebo. Não ocorreu nenhuma morte relacionada ao tratamento.

Este é o primeiro estudo avaliando o uso de inibidor de checkpoint no contexto de tratamento adjuvante de CCR, com um resultado positivo para o seu desfecho primário e tornando-se um potencial novo tratamento padrão para estes pacientes. Agora aguardamos a sua aprovação regulamentar, ou introdução nas diretrizes de consenso, para incorporação desta estratégia na prática clínica de rotina.

 

Referências

Nat Rev Urol. 2010;7(5):245.

CA Cancer J Clin. 2021 SEER Stat Fact Sheets: Kidney and Renal Pelvis http://seer.cancer.gov/statfacts/html/kidrp.html

N Engl J Med. 2016;375(23):2246

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