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Avelumab em pacientes com Neoplasia trofoblástica gestacional resistente a poliquimioterapia: resultados da coorte B do estudo TROPHIMMUN

Por Dra Carolina Zitzlaff

A doença trofoblástica gestacional é uma entidade rara e, na maioria das vezes, auto-limitada, evoluindo para neoplasia trofoblástica gestacional em raras situações. Mesmo nesses casos, uma grande maioria pode ser curável com monoquimioterapia baseada em metotrexato.

Em pacientes com Neoplasia trofoblástica gestacional com FiGO score maior ou igual a 7 ou com NTG resistente as a metotrexate e actinomicina, o tratamento padrão consiste em poliquimioterapia com EMA-CO, um tratamento altamente eficaz, porém com alto potencial de toxicidade. Uma vez que haja resistência a poliquimioterapia, o prognóstico costuma ser reservado.

Dados publicados da coorte A do estudo de Fase 2 Trophimmun mostraram que Avelumab 10mg/kg a cada 2 semanas, até negativação do beta-HCG, seguido por 3 ciclos de consolidação, normalizadaram Beta-HCG em 53.3% das pacientes estudadas, todas previamente expostas apenas a monoquimioterapia (metotrexate e actinomicina).

Na coorte B, aqui comentada, pacientes com NTG resistente a poliquimioterapia receberam Avelumab 10mg/kg a cada 2 semanas, até normalização de beta-hcg e seguidos por 3 ciclos de manutenção. O desfecho primário era a taxa de pacientes com beta-hcg normalizado.

Entre 2017 e 2020, 7 pacientes foram avaliadas: 4 com coriocarcinoma, 1 com tumor de sitio placentário, 1 com tumor epitelioide e 1 com outro tumor. A media de idade era 37 anos, com 43% com score de FIGO 8-10 e 57% com score de 11 a 15. As pacientes haviam sido previamente expostas a monoquimioterapia (5), ciruriga pélvica (2) e poliquimioterapia (EMA-CO, n=5; EMA-EP, n=1; TP/TE, n=1; APE; n=1).  Receberam uma média de 6 ciclos de avelumab (3-13).  Seis (85.7%) pacientes obtiveram estabilização ou queda inicial do beta-hcg e 1 obteve normalização após 13 ciclos. Uma segunda obteve queda inicial, porém a paciente foi submetida a histerectomia hemostática e atingiu normalização do hCG. As demais 5 pacientes apresentaram posterior elevação do hCG, sugerindo resistência ao avelumab. A coorte foi encerrada prematuramente por futilidade.

Por fim, o TROPHIMMUN é o primeiro ensaio de imunoterapia para neoplasia trogoblástica gestacional e, apesar da sugeridade atividade nas pacientes na coorte A, com resistência a monoquimioterapia, sua atividade foi limitada em pacientes com resistência a poliquimioterapia, sendo o prognóstico dessas pacientes ainda desanimador. Combinação de tratamentos de quimioterapia com imunoterapia devem ser estudados no futuro nessa população.

http://dx.doi.org/10.1136/ijgc-2021-ESGO.608

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