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Estudo randomizado fase II do uso de bupropiona versus placebo para aumento do desejo sexual em mulheres sobreviventes de câncer

Comentado por Dra Carolina Matias

De acordo com dados recentes da Sociedade Americana de Câncer, os Estados Unidos terão 22 milhões de sobreviventes do câncer em 2030, sendo a maioria mulheres. Dentre as mulheres sobreviventes do câncer, 59% estão relacionadas ao câncer de mama ou algum tumor ginecológico. Avaliar sequelas crônicas após um tratamento antineoplásico é, portanto, muito relevante.

Uma das consequências negativas do tratamento de alguns tipos de câncer é a redução na saúde sexual, especialmente em tumores sensíveis a hormônios necessitando deprivação estrogênica.

A saúde sexual é um conceito multidimensional envolvendo aspectos como saúde vulvovaginal (lubrificação, desconforto / dispareunia), desejo sexual (libido), satisfação, imagem pessoal e orgasmo.

Redução de libido é de certa forma prevalente na população em geral (até 33%), porém alguns estudos descritivos em mulheres sobreviventes do câncer reportam taxas ainda mais elevadas, em torno de 50-70%.

Dados fisiológicos em animais e humanos relacionam o neurotransmissor dopamina a centros cerebrais associados ao desejo sexual, e drogas que aumentem a função da dopamina são candidatas potenciais para melhorar a libido.

Diante desses fatos, foi publicado um estudo fase II na Journal of Clinical Oncology em dezembro de 2021, que randomizou 230 mulheres na pós menopausa sobreviventes de câncer de mama ou algum câncer ginecológico e com baixo escore de desejo sexual na escala Female Sexual Function Index (FSFI), para receber 2 doses diferentes de bupropiona (150mg ou 300mg) ou placebo por 8 semanas.

Apesar de bem tolerada, a medicação bupropiona não foi associada a uma melhora no índice FSFI nas doses de 150 mg e 300 mg quando comparada ao placebo.

Os resultados desse estudo mostram que estudos sobre a função sexual de mulheres sobreviventes de câncer é uma necessidade e que mais pesquisas relacionadas aos mecanismos de redução do desejo sexual são necessárias a fim de que novos e efetivos tratamentos sejam desenvolvidos e avaliados.

Author profile
Dra. Carolina Matias
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal de Pernambuco.
Residência em Clínica Médica: Hospital das Clínicas da UFPE.
Residência em Oncologia Clínica: AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Tutora de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde.
Preceptora da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português e do IMIP e da residência de clínica médica do Hospital Barão de Lucena

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