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Lenvatinib e Pembrolizumab para câncer de endométrio avançado (KEYNOTE 775)

Por Dra Paloma Porto

A incidência de câncer de endométrio vem crescendo em todo o mundo e aproximadamente 10 a 15% dos pacientes são diagnosticados em fase avançada da doença (no Brasil essa porcentagem aumenta para 30%). Até o momento não existe nenhum tratamento, globalmente aceito, para as pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente após falha a esquema quimioterápico contendo platina.

Foi publicado em 19 de janeiro de 2022 no New England Journal of Medicine (NEJM) o estudo de fase III (KEYNOTE 775) que randomizou (1:1) pacientes com câncer de endométrio avançado, que tinham sido tratadas previamente com pelo menos um regime de quimioterapia baseada em platina (podia ter sido usado no contexto neoadjuvante ou adjuvante), para receber lenvatinibe (20mg/dia via oral) associado a pembrolizumabe (200mg, EV a cada 3 semanas) ou quimioterapia a escolha do examinador (doxorubicina ou paclitaxel). O desfechos primários foram sobrevida livre de progressão e sobrevida global.

Um total de 827 pacientes (697 com proficiência de enzimas de reparo (pMMR) e 130 com deficiência de enzimas de reparo (dMMR)) foram randomizado para receber a combinação de lenvatinibe e pembrolizumabe (total de 411, 84,2% com pMMR) e para receber quimioterapia (total de 416, 84,4% com pMMR).

A média de follow-up foi de 12,2 meses no grupo lenvatinibe–pembrolizumabe e 10,7 meses no grupo de quimioterapia.

A média de sobrevida livre de progressão foi maior no grupo do lenvatinibe mais pembrolizumabe do que com quimioterapia (pMMR : 6.6 vs. 3.8 meses; HR 0.60; P< 0,001; todos os pacientes: 7,2 vs. 3,8 meses; HR 0,56; p< 0,001). A média se sobrevida global também foi maior para o grupo do lenvatinibe mais pembrolizumabe (pMMR 17,4 vs. 12,0 meses HR 0,68 P<0,001; todos os pacientes 18,3 vs. 11,4 meses; HR 0,62 P <0,001).

Os eventos adversos mais comuns foram hipertensão, hipotireoidismo, diarreia, náuseas, redução do apetite, vômitos, perda de peso, fadiga e artralgia nos pacientes que receberam lenvatinibe e pembrolizumabe e anemia, náusea, neutropenia e alopécia nos pacientes que fizeram quimioterapia.

Eventos adversos grau ≥3 ocorreram em 88,9% dos pacientes da combinação e em 72,7% dos pacientes que receberam quimioterapia.

No estudo houve redução de dose em 66,5% dos pacientes por eventos adversos no grupo da combinação (lenvatinibe + pembrolizumabe).

Como conclusão do estudo, foi visto que a combinação de lenvatinibe com pembrolizumabe aumentou significativamente a sobrevida livre de progressão e sobrevida global quando comparado a quimioterapia, tanto em pacientes com proficiência das enzimas de reparo (pMMR) quanto na população geral de pacientes com câncer de endométrio avançado que progrediram a quimioterapia a base de platina.

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