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Níveis de PSA pré- radioterapia de resgate e desfechos da terapia de deprivação de andrógeno de longa duração

Por Andrezza Santos

O estudo RTOG 9601 foi um estudo randomizado de fase III em que pacientes com neoplasia de próstata submetidos à prostatectomia radical + linfadenectomia, sem evidência patológica de acometimento linfonodal, porém com fatores de alto risco na peça cirúrgica (margem positiva e/ou extensão extra-prostática) e com níveis de PSA 0,2 a 4,0ng/ml, foram randomizados para radioterapia (leito prostático -64,8 Gy) isolada ou associada a bloqueio com bicalutamida 150mg/dia durante 02 anos.

O objetivo primário do estudo foi alcançado com ganho em sobrevida global para o grupo de pacientes que recebeu o bloqueio androgênico (71% vs 76% em doze anos).

Os dados de sobrevida global foram publicados no New England Journal of Medicine em 2017, porém esse estudo começou a randomização há mais de 20 anos e muitos pacientes tratados tinham PSA> 0,5ng/ml. Atualmente já se sabe que oferecer a radioterapia de resgate mais precoce oferece melhores resultados em sobrevida, no entanto questiona-se o benefício da adição do bloqueio androgênico no subgrupo de pacientes com níveis baixos de PSA.

Em 26 de março de 2020 foi publicado na revista Jama Oncology uma análise secundária de dados dos pacientes tratados no RTOG9601 buscando avaliar a relação entre os níveis de PSA pré- radioterapia de resgate e benefício da associação do bloqueio androgênico de longa duração.

Os pacientes foram estratificados em grupos de acordo com os níveis de PSA pré-radioterapia (PSA 0,2 a 1,5ng/ml e PSA >1,5ng/ml).

Em torno de 85% dos pacientes do estudo tinham valor de PSA inferior a 1,5ng/ml e tiveram sobrevida global superior à daqueles com PSA >1,5ng/ml, mostrando que o valor do PSA pré- radioterapia de resgate tem implicação prognóstica.

No grupo com PSA superior a 1,5ng/ml, houve ganho em sobrevida global com a adição de bicalutamida (HR-0,45 IC 0,25-0,81; p=0,01) enquanto que naqueles com PSA inferior a 1,5ng/ml não houve benefício (HR-0,87 IC-0,66-1,16; p=0,36).

Entre os pacientes com PSA 0,2ng/ml a 0,6ng/ml não houve benefício em sobrevida global com a adição de bicalutamida (HR-1,16 IC 0,79-1,7; p=0,46) e nesse subgrupo o uso do antiandrogênico resultou em mortalidade por causas não relacionadas ao câncer 2x maior.

De forma semelhante àqueles com PSA >1,5ng/ml, os pacientes com valores de PSA 0,6ng/ml a 1,5ng/ml apresentaram ganho em sobrevida global com o uso da bicalutamida associada à radioterapia (HR 0,61 IC 0,39-0,94; p=0,02).

Os autores do estudo concluíram que o valor de PSA pré-radioterapia pode funcionar como biomarcador prognóstico e preditivo podendo guiar a utilização do bloqueio androgênico associado à radioterapia. Foram beneficiados com o bloqueio androgênico de longa duração os pacientes com níveis de PSA superiores á 0,6ng/ml, sendo mais expressivo o benefício na população com PSA superior á 1,5ng/ml.

Author profile
Dra. Andrezza Santos
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Residência em oncologia Clinica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira IMIP, Mestrado em cuidados paliativos pelo IMIP, Preceptora das residências de oncologia clínica do IMIP, Hospital Universitário Osvaldo Cruz -HUOC e do Real Hospital Português

 
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