Nova esperança para câncer de pâncreas nos portadores de mutação de KRASG12C com Sotorasib – Dados preliminares do CODEBREAK100

Uso de anti -PD 1 no câncer de reto localmente avançado com deficiência do sistema de reparo do DNA (MMR)
05/07/2022
Cabozantinibe em combinação com Nivolumabe e Ipilimumabe em pacientes não previamente tratados com Carcinoma de Células Renais Avançado ou Metastático (COSMIC-313).
20/07/2022

Comentado por Cecília Arraes em 12/17/2022

                A mutação do gene do KRAS (Kirsten Rat Sarcoma Viral Oncogene) é a mutação oncogênica mais comum em tumores sólidos e frequentemente está associada a resistência a terapias alvo e prognóstico pobre. A mutação do KRAS pG12C ocorre em 13% dos tumores de pulmão de não pequenas células, 1-3% em tumores colorretais e 1-2% dos pacientes com Câncer de Pâncreas.  Sotorasib é um inibidor irreversível do KRAS G12C e foi investigado em estudo basket CodeBreak100 em pacientes portadores dessa mutação em tumores sólidos. No Congresso anual Americano da ASCO (American Society of Clinical Oncology), foi apresentando os dados preliminares do braço do estudo que avaliou a eficácia desta medicação em pacientes com câncer de Pâncreas. Previamente, já foram apresentados os dados em Pulmão e Câncer colorretal.

                Trata-se de um estudo fase Ib/II, aberto, que incluiu pacientes com Câncer de Pâncreas metastático que progrediram a uma ou mais linhas de quimioterapia. No total, 38 pacientes foram incluídos. O estudo envolveu a fase Ib de segurança da droga com 12 pacientes e expandiu para fase II de segurança e eficácia com 26 pacientes.  Os 38 pacientes incluídos no estudo receberiam Sotorasib 960mg 1x ao dia (08 comprimidos de 120mg).

                Em relação ao perfil do estudo, média de idade foi de 65 anos, ECOG 1-2. Em torno de 79% dos pacientes receberam mais de 2 linhas de tratamento.

                Os resultados apresentados revelaram uma taxa de resposta parcial de 21% (8 pacientes), com taxa de controle de doença de 84% e media de duração de reposta de 5.7 meses. Dos 38 pacientes, 30 tiveram redução das dimensões do tumor. Dois pacientes ainda estavam respondendo no momento da análise.

                Em relação as estimativas de sobrevida livre de progressão e sobrevida global, o estudo demonstrou SLP de 4 meses e SG de 6.9 meses, com média de seguimento de 16.8 meses.

                Em relação a eventos adversos, a medicação foi bem tolerada. Maioria dos eventos adversos foram G2 ou mais leves. Apenas 16% pacientes experimentaram grau 3, que incluíram diarreia e fadiga. Não houve eventos grau 4 ou morte em decorrência do tratamento.

                Comparando os dados em conjunto do CodeBreak100 em relação a Pulmão e Câncer colorretal, os dados em câncer de pâncreas são animadores. Para câncer colorretal, houve apenas 10% da taxa de resposta objetiva e 4,0 meses de sobrevida livre de progressão, enquanto Pulmão obteve 41% de taxa de resposta objetiva e 6,3 meses de sobrevida livre de progressão. Para pâncreas, a tolerância foi boa e taxa de controle de doença de 84%, com taxa de resposta objetiva de 21% e sobrevida livre de progressão de 4 meses. Esses dados analisados no contexto de câncer de pâncreas fazem da medicação uma alternativa viável como linha de tratamento.

                Baseados nesses dados promissores, vários trabalhos estão em andamento, testando a associação de Sotorasib a panitunumab e a quimioterapia. Além disso, houve expansão da coorte do CodeBreak100, com inclusão de mais 25 pacientes com Câncer de Pâncreas.  

                  Por trata-se de neoplasia prevalente, sendo a quarta causa de morte por câncer e com poucas linhas de tratamento disponíveis, a Agência Americana aprovou o uso do Sotorasib para linhas subsequentes em Pâncreas. A medicação já está aprovada no Brasil para Câncer de Pulmão, aguardando precificação. Esperamos, em breve, podermos contar com mais uma arma contra este Câncer, ainda bastante carente de linhas de tratamento em relação a outros tumores sólidos do trato gastrointestinal.

Referência

 1.https://meetings.asco.org/2022-asco-annual-meeting/14419?presentation=213697#213697 – Acessado em 12/07/2022

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