Papel da quimioterapia adjuvante após quimiorradioterapia padrão no câncer de colo uterino localmente avançado: estudo Outback

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Papel da quimioterapia adjuvante após quimiorradioterapia padrão no câncer de colo uterino localmente avançado: estudo Outback

Comentado por Dra Emmanuely Duarte

Em sessão plenária recente da ASCO/2021 foram apresentados os resultados do estudo de fase III Outback, desenvolvido e liderado pelo Grupo de Oncologia Ginecológica da Austrália e Nova Zelândia (ANZGOG) em colaboração com o NHMRC Clinical Trials Center.

O câncer de colo uterino configura-se como um dos mais incidentes e de maior mortalidade entre mulheres em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. A implementação da vacina contra o HPV foi um grande marco na prevenção dessa neoplasia; no entanto, muitas mulheres ainda são diagnosticadas com doença localmente avançada, cuja sobrevida global em 5 anos após a quimiorradioterapia padrão é de aproximadamente 60%.

No estudo Outback, após randomização 1: 1 foram incluídas 919 mulheres com câncer de colo uterino localmente avançado que preenchiam os seguintes critérios: estadiamento IB1 com LN + , IB2, II, IIIB e IVA pela FIGO/2008 , ECOG 0-2, histologia escamosa, adenocarcinoma ou adenoescamoso e sem doença nodal volumosa para realizar o tratamento padrão com radioterapia pélvica na dose de 40- 45 Gy associada a braquiterapia concomitante a quimioterapia com cisplatina 40 mg/m² semanal ou o mesmo tratamento seguido por quimioterapia adjuvante com quatro ciclos de carboplatina AUC 5 e paclitaxel 155 mg/m².

O desfecho primário foi a sobrevida global em 5 anos e o desfecho secundário foi a sobrevida livre de doença. Após uma mediana de follow-up de 60 meses, a sobrevida global foi semelhante entre aquelas que realizaram a quimioterapia adjuvante e o grupo controle (72% x 71%, intervalo de confiança de 95% [IC] = –6 a +7; P = 0,91). A razão de risco para a sobrevida global foi de 0,91 (IC 95% = 0,70-1,18). A sobrevida livre de progressão em 5 anos também foi semelhante entre aquelas que receberam quimioterapia adjuvante e o grupo controle (63% x 61%, IC 95% = –5 a +9; P = 0,61). Em análise de subgrupos, houve tendência de benefício com a quimiorradioterapia exclusiva em pacientes com 60 anos ou mais.

É importante salientar que a histologia escamosa estava presente em cerca de 80% das pacientes e aproximadamente 50% não tinham envolvimento nodal.

Os eventos adversos de graus 3 a 5 dentro de um ano de randomização ocorreram em 81% dos pacientes que receberam quimioterapia adjuvante x 62% do grupo de controle, sendo os mais importantes: anemia, neutropenia e neuropatia periférica. Não houve aumento da toxicidade radioterápica tardia com a  quimioterapia adjuvante e o padrão de recorrência da doença também foi semelhante entre os grupos.

Diante do exposto, a quimioterapia adjuvante com carboplatina e paclitaxel após o tratamento padrão com quimiorradioterapia não é recomendada para pacientes com câncer de colo uterino localmente avançado devido a ausência de benefício clínico com aumento dos efeitos colaterais e redução da qualidade de vida. É de extrema importância o desenvolvimento de estudos que busquem aprimorar o tratamento padrão atual a fim de reduzir a elevada recorrência do câncer de colo de útero localmente avançado.

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