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22/11/2018
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11/12/2018
 
 

Radioterapia para o tumor primário no câncer de próstata metastático recém diagnosticado (STAMPEDE): estudo randomizado fase III

Por Dra. Carolina Matias

O estudo STAMPEDE  (Systemic Therapy in Advancing or Metastatic Prostate Cancer: Evaluation of Drug Efficacy) é um estudo clínico grande com objetivo de avaliar novas estratégias de tratamento do câncer de próstata. O estudo encontra-se aberto desde 2005 e já testou diferentes formas de terapia, sempre comparando com o braço do tratamento padrão.

Em outubro de 2018 foram apresentados novos resultados deste estudo no congresso europeu de oncologia (ESMO) e logo publicados na Lancet por Christopher Parker e colaboradores. Neste braço do estudo foi avaliado se incluir radioterapia na próstata de homens com câncer de próstata metastático poderia resultar em melhores resultados de controle da doença e sobrevida.

O estudo incluiu 2061 homens (idade mediana de 68 anos) do Reino Unido e Suíça com diagnóstico recente de câncer de próstata metastático. Eles foram randomizados para o tratamento padrão com terapia de deprivação de androgênio (com docetaxel a partir de 2016) ou terapia padrão associada à radioterapia da próstata. O esquema de radioterapia consistiu de 55Gy/20 frações diárias por 4 semanas ou 36Gy/6 frações semanais por 6 semanas.

Os resultados mostraram que a radioterapia aumentou a sobrevida livre de progressão (HR 0,68, 95% IC 0,68-0,84), mas não a sobrevida global (HR 0,92, 95% IC 0,8-1,06) quando analisados todos os pacientes. Análise de subgrupo pré-planejada mostrou que a radioterapia prostática aumentou a sobrevida global nos 819 homens com baixa carga de doença metastática (HR 0,68, 95%IC 0,51-0,9). Em contraste, a radioterapia não aumentou a sobrevida dos pacientes com alta carga de doença metastática, definida como 4 ou mais metástases ósseas e pelo menos uma fora do esqueleto axial e/ou metástase visceral.

A radioterapia foi bem tolerada, com 5% dos pacientes apresentando algum evento adverso mais grave (graus 3 ou 4).

Pela primeira vez temos alguma evidência que o tratamento do tumor primário na doença metastática do câncer de próstata pode resultar em melhores resultados de sobrevida e provavelmente estes resultados mudarão a prática clínica para doença oligometastática.

Como limitação do estudo, apesar de ser randomizado e fase III, apenas 18% dos pacientes receberam docetaxel na doença sensível a castração e nenhum dos pacientes recebeu abiraterona, duas estratégias consideradas padrão atualmente na doença metastática inicial e que também aumentaram a sobrevida global dos pacientes.

Author profile
Dra. Carolina Matias
Médica Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal de Pernambuco.
Residência em Clínica Médica: Hospital das Clínicas da UFPE.
Residência em Oncologia Clínica: AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Tutora de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde.
Preceptora da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português e do IMIP e da residência de clínica médica do Hospital Barão de Lucena

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