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“Chemobrain” ou nevoeiro quimioterápico

Por: Heberton Medeiros

 

O nevoeiro quimioterápico ou “chemobrain” pode fazer parte das sequelas terapêuticas tardias do tratamento quimioterápico, no entanto, é um tópico muito pouco abordado pelos oncologistas clínicos. Pode começar a qualquer momento ou até mesmo após o tratamento e tem sido uma experiência cada vez mais relatada pelos nossos pacientes oncológicos.

É caracterizado por déficit de cognição, preponderantemente em memória recente, atenção, capacidade de concentração e execução de algumas funções, essas alterações podem ser persistentes, durando anos.

Esse efeito é mais frequentemente causado por determinados quimioterápicos, como adriamicina, ciclofosfamida, fluorurouracil e paclitaxel (drogas frequentemente utilizadas no tratamento do câncer de mama), terapia endócrina, a cirurgia, a dose utilizada, a idade e até mesmo o próprio câncer.

Segundo Dr. Tim A. Ahles, do Memorial Sloan Ketterin Cancer Center, em reportagem ao portal ASCO Post, através de análise de dados de estudos neuropsicológicos, de imagem, genéticos e com animais, com foco em câncer de mama, revela uma frequência desse achado em torno de 20-30% dos pacientes.

Outros fatores que influenciam são as condições psicossociais como depressão, ansiedade, estresse, alterações do sono e fadiga, além de comorbidades como diabetes mellitus e doenças cardíacas.

A maioria dos pacientes se queixam de alteração da memória recente, no entanto, ao se realizar a avaliação adequada se percebe que a memória é bastante normal, porém a sua capacidade de concentração e a velocidade de processar as informações é que se encontram prejudicadas.

De acordo com estudos recentes o modafinil (estimulante utilizado no tratamento de narcolepsia e apnéia do sono) e metilfenidato, são eficazes na melhoria da memória e concentração.

Além disso, é importante que o oncologista assistente cheque os níveis séricos de vitamina B12 e vitamina D, ácido fólico e função tireoidiana.

Medidas de prevenção como: Retorno gradual ao trabalho após o término do tratamento, manter uma rotina do sono de forma que ele seja reparador e evitar o uso de hipnóticos, praticar atividades físicas regularmente e ter uma dieta saudável, também são importantes.

Por fim, Ahles diz que “há pesquisas em andamento para investigar técnicas de imagem avançadas, tais como a ressonância nuclear magnética de alta qualidade, para focar padrões de ativação em pacientes antes e após o tratamento”. Esses dados podem nos ajudar a entender melhor essa ativação e consequentemente melhor combatê-las.

 

Author profile
Dr. Heberton Medeiros - Oncologia
Dr Heberton Medeiros
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Graduação em Medicina: Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN.
Residência em Clínica Médica: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Residência em Oncologia Clínica pelo AC Camargo Cancer Center, São Paulo-SP.
Mestre em Medicina Tropical pela UFPE.
Preceptor da Residência de Oncologia Clínica do Real Hospital Português.

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