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Pembrolizumabe para carcinoma de células escamosas cutâneo localmente avançado e recorrente / metastático: estudo KEYNOTE-629

Comentado por Dra. Emmanuely Duarte

Sabe-se que o carcinoma de células escamosas cutâneo é o segundo câncer de pele não – melanoma mais comum no mundo, respondendo por cerca de 20% da mortalidade relacionada ao câncer de pele. A maioria dos pacientes com essa patologia tende a ser tratada com ressecção cirúrgica. No entanto, a doença incurável e recorrente tende a metastatizar, envolvendo linfonodos regionais em até 85% dos casos e órgãos à distância nos 15% restantes dos casos. O prognóstico a longo prazo da doença metastática é extremamente pobre, com taxas de sobrevida em 10 anos inferiores a 10%.

A alta carga mutacional do tumor (TMB) é um biomarcador preditivo para a eficácia da imunoterapia e o câncer de pele não – melanoma costuma ter alto TMB, resultante de danos ao DNA induzidos por radiação ultravioleta.

O Keynote-629 é um estudo de fase 2, aberto, não randomizado e multicêntrico cuja segunda análise interina foi publicada na Revista Annals of Oncology em 20 de julho de 2021 que avaliou a atividade do pembrolizumabe em carcinoma escamoso cutâneo localmente avançado (LA) e recorrente/metastático (R/M). A primeira análise desse estudo avaliou a eficácia do pembrolizumabe neste cenário e a segunda análise analisou a taxa de resposta objetiva como principal desfecho.

Foram considerados elegíveis os pacientes com ≥18 anos e que tinham carcinoma escamoso cutâneo histologicamente confirmado com doença mensurável pelos Critérios de Avaliação de Resposta em Tumores Sólidos (RECIST; versão 1.1) e um status de desempenho do Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG) de 0 ou 1. O desfecho primário foi a taxa de resposta objetiva geral (TRO), definida como a proporção de pacientes com resposta completa (RC) ou parcial (RP) confirmada por RECIST 1.1 pelo BCIRG. Os desfechos secundários incluíram a duração da resposta, taxa de controle da doença (proporção de pacientes com RC ou RP ou doença estável por ≥12 semanas) e sobrevida livre de progressão (SLP),sobrevida global (SG) e segurança.

Entre 29 de novembro de 2017 e 25 de setembro de 2019, 159 pacientes foram inscritos (LA N = 54 pacientes; R / M, N = 105). Eles receberam pembrolizumabe por até 35 ciclos (cerca de 2 anos) ou até a progressão da doença, toxicidade inaceitável ou se outros critérios de descontinuação fossem atendidos.

A idade média foi de 74 anos e a maioria dos pacientes era do sexo masculino (74,8%), com ECOG de 1 (63,5%). A maioria teve expressão de PDL1 por CPS maior que 1 na coorte localmente avançada; 22% dos 54 foram tratados com terapia sistêmica prévia com intenção curativa. Mais comumente, esta era a quimioterapia à base de platina com radioterapia.  Na coorte metastática, 91 de 105 (86,7%) haviam recebido terapia sistêmica anterior. Um pequeno número de pacientes após uma modificação do protocolo recebeu tratamento como sua terapia de primeira linha metastática. O tempo médio desde a primeira dose até o corte de dados em 29 de julho de 2020 foi de 14,9 meses para a coorte LA e 27,2 meses para a coorte R / M.

Os pacientes com doença LA demonstraram uma TRO de 50,0% (IC 95%, 36,1-63,9), enquanto a coorte R / M revelou TRO de 35,2% (IC 95%, 26,2-45,2). A TRO na população geral foi de 40,3% (IC de 95%, 32,6-48,3).

A taxa de controle da doença nas coortes LA e R/M  foi de 64,8% (IC de 95%, 50,6-77,3) e 52,4% (IC de 95% , 42,4-62,2), respectivamente e em toda a população de pacientes foi de 56,6% (IC de 95%, 48,5-64,4). Na coorte R/M houve uma taxa de resposta ligeiramente maior observada naqueles que receberam pembrolizumabe na primeira linha. Embora as respostas tenham sido observadas independentemente da expressão de PDL1, houve aumento para aqueles que tinham um CPS de 1 ou maior ou uma pontuação de TPS de mais de 50%.

As coortes LA e R/M, 9 (16,7%) e 11 (10,5%), respectivamente, tiveram resposta completa, 18 (33,3%) e 26 (24,8%) tiveram resposta parcial. As taxas de SLP  em 12 meses nas coortes LA  e R/M  foram de 54% e 36,4%, respectivamente. As taxas de sobrevida global em 12 meses nas coortes LA avançado e R / M foram 73,6% e 61,0%, respectivamente. A SG mediana não foi alcançada no grupo LA e foi de 23,8 meses no grupo R/M.

Eventos adversos relacionados ao tratamento de qualquer grau ocorreram em 69,2% dos pacientes, incluindo 11,9% dos pacientes com grau 3 a 5. Os eventos que levaram à descontinuação da droga foram observados em 8,8% dos pacientes e morte em 1,3% dos pacientes. Os mais comuns de qualquer grau foram: prurido (18,2%), fadiga (14,5%), astenia (12,6%), erupção cutânea (10,7%), diarreia (9,4%), hipotireoidismo (8,8%), artralgia (6,3%), e náusea (5,7%).

Apesar das limitações do estudo (amostra pequena que recebeu a droga e braço único), o pembrolizumabe não apenas confirmou atividade rápida e robusta, mas também demonstrou eficácia durável com sobrevida promissora no câncer escamoso de pele; com bom perfil de segurança clínica. Torna-se, então, mais uma boa opção terapêutica como droga anti- PD1 neste cenário de doença localmente avançada ou recorrente/metastática.

Reference:

Hughes BG, Munoz-Couselo E, Mortier L, et al. Phase 2 study of pembrolizumab (pembro) for locally advanced (LA) or recurrent/metastatic (R/M) cutaneous squamous cell carcinoma (cSCC): KEYNOTE-629. Annals of Oncology, In Press, Journal Pre-proof, disponível online em 20 de julho de 2021

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