Phase III trial of metronomic capecitabine maintenance after standard treatment in operable triple-negative breast cancer (SYSUCC-001). XI Wang e colaboradores, abstract #507, ASCO 2020
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Tratamento de manutenção com avelumabe em pacientes com carcinoma urotelial avançado após quimioterapia baseada em platina.

Por Andrezza Santos

O estudo Javelin bladder 100 foi um estudo de fase III apresentado na sessão plenária do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Cínica (ASCO) que ocorreu entre os dias 29 e 31 de maio de 2020.

Nesse estudo, 700 pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado e irressecável ou metastático, que apresentaram resposta após 4-6 ciclos de quimioterapia com platina (cisplatina ou carboplatina) e gemcitabina foram randomizados para um braço de tratamento com o anti- PDL-1 avelumabe (10mg/kg) a cada 02 semanas até progressão de doença ou toxicidade limitante ou para outro braço com acompanhamento (conduta padrão).

Após um seguimento mediano de 19 meses o objetivo primário do estudo foi alcançado, com mediana de sobrevida global 21,4 meses para os pacientes tratados com avelumabe e 14,3 meses para os pacientes em acompanhamento (HR-0,69; p<0,001).

Em análise de subgrupos, pacientes PDL-1 negativo ou com metástases viscerais não tiveram benefício estatisticamente significativo em sobrevida global. Entre os pacientes com expressão de PDL-1 positiva, houve manutenção do benefício em sobrevida global no grupo tratado com avelumabe – ainda não atingida – e de 17,1 meses para o grupo sem tratamento de manutenção (HR-0,56; p<0,001), apesar de esses dados ainda serem imaturos.

Com relação à sobrevida livre de progressão de doença também houve benefício na população tratada com avelumabe, 3,7 meses versus 2 meses (HR-0,62; p<0,001).

Houve maior taxa de eventos adversos grau 03 entre os pacientes tratados com avelumabe e 12% desses pacientes descontinuaram o tratamento por toxicidades.

Outro dado relevante do estudo apontou que cerca de 30% dos pacientes em ambos os braços não receberam tratamento na progressão. Dentre os pacientes em acompanhamento, apenas 40% foram elegíveis para imunoterapia na progressão.

O estudo foi positivo para toda a população inclusa no braço de tratamento com o anti PDL-1 e dados de análise de subgrupo devem ser encarados apenas como geradores de hipótese não devendo ser tomados como base para tomada decisões clínicas. O fato de 30% dos pacientes não terem recebido tratamento em segunda linha em ambos os braços, reforça a importância de se oferecer o tratamento com imunoterapia mais precoce, mesmo como manutenção.  Deve-se levar em conta que a população com neoplasia de bexiga é uma população idosa e com múltiplas comorbidades e que na vigência de progressão de doença nem sempre reúne condições para um tratamento em segunda linha. O benefício em sobrevida global alcançado nesse estudo é um dado animador. A aprovação do avelumabe nesse cenário é esperada e esse estudo muito provavelmente determinará uma mudança na prática clínica.

Author profile
Dra. Andrezza Santos
Médico Oncologista at Real Instituto de Oncologia

Residência em oncologia Clinica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira IMIP, Mestrado em cuidados paliativos pelo IMIP, Preceptora das residências de oncologia clínica do IMIP, Hospital Universitário Osvaldo Cruz -HUOC e do Real Hospital Português

 
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