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Uso de atezolizumabe adjuvante nos pacientes com câncer de pulmão não pequenas células – IMpower010
02/11/2021

Uso de atezolizumabe adjuvante nos pacientes com câncer de pulmão não pequenas células – IMpower010

Por Dra Samara Aquino

O IMpower010 é um estudo fase III, global, aberto, randomizado que avaliou o uso de atezolizumabe comparado com tratamento de suporte pós-quimioterapia adjuvante em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células completamente ressecado estadio Ib (tumor ≥ 4cm) até IIIA.

Os critérios de inclusão do estudo foram pacientes com ECOG 0-1, submetidos a ressecção completa (28 – 84 dias antes do recrutamento) que tivessem recebido quimioterapia adjuvante baseada em cisplatina por pelo menos 1 ciclo e disponibilidade de amostra tumoral para análise de PD-L1. Após três a oito semanas da última dose de quimioterapia adjuvante os pacientes eram randomizados para atezolizumabe, a cada 3 semanas por 1 ano, versus tratamento de suporte. O desfecho primário foi sobrevida livre de doença (SLD), entre os desfechos secundários estavam incluídos sobrevida global (SG) e SLD nos pacientes com PD-L1 acima de 50% EC II e IIIa, entre outros.

A análise estatística do estudo foi hierarquizada de acordo com algumas subpopulações. Primeiro foi avaliado a SLD na população de pacientes PD-L1 positivo (≥ 1%) EC II ou IIIA, se fosse positivo era realizado a avaliação de SLD nos pacientes com o mesmo estadiamento, porém independente da expressão de PD-L1, se fosse positivo era executado a avaliação de SLD em toda a população do estudo e se positivo, avaliação de sobrevida global em todos os pacientes do estudo.

Foram randomizados 1250 pacientes com mediana de idade de 62 anos, um terço deles com histologia escamosa, 12% dos pacientes eram estádio IB, 54% pacientes PD-L1 positivo, 22% pacientes não tabagistas, 11% dos pacientes com mutação do EGFR e cerca de 3% com mutações em ALK.

Quanto aos resultados, houve benefício em SLD no primeiro grupo avaliado EC II – IIIA PD-L1 positivo, com HR 0,66 (IC 95% 0,50–0,88; p=0·0039) a favor da imunoterapia. Também foi visto benefício no segundo grupo avaliado, EC II – IIIA independente de PD-L1, com HR 0,79 (0·64–0·96; p=0·020). No entanto, quando foi avaliado a SLD em toda a população, incluindo EC IB, independente da expressão de PD-L1 não houve diferença estatisticamente significativa.

Em relação a segurança o atezolizumabe apresentou um perfil de eventos adversos semelhante a estudos anteriores, houve 18% de eventos adversos sérios no grupo do anti-PD-L1 e em 8% no grupo de suporte.

Na ESMO 2021 foram apresentados os dados de SLD nos pacientes com PD-L1 > 50% EC II e IIIA, sendo positivo para o uso de atezolizumabe, HR 0,43 (IC 95% 0,27–0,68). Além de análise exploratória sobre os locais de recidiva e terapias subsequentes. Foi visto que houve maior número de recidiva no braço placebo, no entanto não ocorreu uma clara diferença entre os padrões de recidiva entre os dois braços. Um terço dos pacientes apresentaram recidivas locorregionais, 40% apenas recidiva sistêmica, 17% apresentaram tanto recidiva locorregional quanto sistêmica e 10% apresentaram recidiva isolada no sistema nervoso central. O tempo até a recorrência foi maior no braço atezolizumabe, mediana de tempo para recidiva de 17 meses versus 11 meses no braço placebo. Em relação ao tratamento subsequente 70% em cada braço recebeu algum tipo de tratamento, a proporção de pacientes que recebeu quimioterapia ou terapia alvo foi semelhante entre os dois braços. No braço que recebeu placebo a grande maioria realizou imunoterapia como terapia subsequente, 10% versus 30%, e também foi semelhante a proporção de pacientes que realizaram radioterapia ou cirurgia.

O IMpower 010 é o primeiro estudo fase III a demonstrar benefício de SLD com o uso de imunoterapia adjuvante em câncer de pulmão não pequenas células. Até momento o tratamento está aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) para pacientes com estádios II a IIIA com expressão de PDL-1 ≥ 1% após ressecção cirúrgica com intuito curativo e quimioterapia adjuvante baseada em platina. Por enquanto, esperamos a aprovação deste tratamento pelos órgãos regulatórios brasileiros.

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